Praia, 20 jul 2026 (Lusa) – A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS/CEDEAO) voltou a apelar à libertação dos presos políticos na Guiné-Bissau, no domingo, durante a cimeira ordinária da organização, disse o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves.
José Maria Neves participou na reunião, na Serra Leoa, e disse à Rádio Cabo Verde (RCV) que foi feito “um apelo no sentido da libertação incondicional de todos os presos políticos” e da “concertação entre os diferentes atores políticos” para “a transição para a democracia” na Guiné-Bissau.
“Foram reafirmadas as posições da reunião anterior: a necessidade de se continuar o diálogo, de se fazer a inclusão, para se garantir a transição para a ordem democrática”, acrescentou.
A cimeira indicou que a intermediação com a Guiné-Bissau continuará a ser assegurada pelo Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye.
A Guiné-Bissau foi palco de um golpe de Estado em vésperas da publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais que tinham decorrido sem incidentes, em novembro de 2025.
Na sequência da ação militar, Domingos Simões Pereira, presidente do parlamento e líder da oposição, foi detido e, após dois meses na cadeia, regressou a casa, mas impedido de se movimentar.
Em junho, foi tornado público um despacho judicial em que Simões Pereira foi constituído suspeito de apoiar um outro alegado golpe tentado antes das eleições, estando encarcerado novamente na Segunda Esquadra desde 10 de julho.
A família e a defesa de Domingos Simões Pereira têm contestado o processo, classificando-o como perseguição política, apelando à mobilização da comunidade internacional.
Com a tomada do poder pelo Alto Comando Militar, o general Horta Inta-a foi nomeado Presidente guineense de transição.
O Alto Comando Militar que governa o país marcou novas eleições para 06 de dezembro, aprovou uma nova Constituição que atribui mais poderes ao chefe de Estado e que será submetida a referendo em 30 de agosto.
A oposição classifica o golpe militar de novembro de 2025 como uma alegada encenação do Presidente deposto, Sissoco Embaló, que acusam de continuar a comandar os destinos da Guiné-Bissau.
LFO (HFI) // MLL – Lusa/Fim

17 Jul, 2026
O Conselho de Ministros da CEDEAO realiza a sua 96ª Sessão Ordinária em Freetown, Serra Leoa, de 16 a 17 de julho de 2026, em preparação para a Sessão Ordinária da Autoridade dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, agendada para 19 de julho de 2026 na mesma cidade.
Ao dar as boas-vindas aos Ministros, S.E. Dr. Omar Alieu TOURAY, Presidente da Comissão da CEDEAO, reafirmou a resiliência e o compromisso da Organização com a integração regional, apesar dos desafios políticos, de segurança e econômicos. Destacou conquistas importantes durante o seu mandato de quatro anos, incluindo a operacionalização do Comité dos Representantes Permanentes, a inauguração da Ponte e Posto Fronteiriço Conjunto de Mfum-Ekok, a criação do Conselho Empresarial da CEDEAO e a transferência da Comissão para a sua nova sede em Abuja.
O Presidente TOURAY instou os Ministros a fornecerem orientações estratégicas sobre governança, sustentabilidade financeira, integração regional e novas prioridades políticas, expressando confiança na capacidade da CEDEAO de promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável em toda a África Ocidental. “Apesar destes desafios, continuamos a reforçar os alicerces da integração regional… Estes marcos refletem a nossa determinação coletiva em construir instituições mais fortes, capazes de servir melhor os povos da África Ocidental”, acrescentou.
Na sua intervenção de abertura, S.E. Timothy Musa KABBA, Presidente do Conselho de Ministros da CEDEAO e Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da Serra Leoa, apelou aos Estados membros para reforçarem a unidade e a ação coletiva face aos desafios políticos, de segurança e socioeconômicos da região.
Exortou os Ministros a apresentarem recomendações práticas e orientadas para resultados em matéria de integração regional, paz e segurança, desenvolvimento econômico e reformas institucionais, que servirão de guia para as decisões da Autoridade dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO. Reafirmou ainda o compromisso da Serra Leoa em promover uma África Ocidental pacífica, democrática e plenamente integrada, baseada no diálogo, na cooperação e na responsabilidade partilhada.
Durante os dois dias de reunião, os Ministros analisaram a situação financeira da Comunidade, memorandos sobre a situação política e de segurança na região, o plano de ação (2027–2030) relativo ao retorno dos bens culturais aos seus países de origem, e a operacionalização do mecanismo CEDEAO-ECOSOCC, entre outros pontos.

