São Tomé, 20 jul 2026 (Lusa) – O Presidente reeleito de São Tomé e Príncipe destacou hoje a “vitória clara” alcançada este domingo e afirmou contar “com todos” para reconstruir o país.
“Aos que fizeram uma escolha diferente, deixou uma palavra muito especial: não os vejo como adversários a vencer, mas como compatriotas com quem construiremos o futuro da nação”, disse Carlos Vila Nova na reação aos resultados preliminares das eleições presidenciais divulgados pouco antes pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), que lhe dão 55,94% dos votos, contra os 41,92% do principal adversário, Nito d’Abreu.
Os outros dois candidatos não chegaram aos 2%: Eugénio Tiny e Miques João arrecadaram, respetivamente, 1,07% e 1,58%. Voltaram a não contar com qualquer apoio partidário e a sua campanha eleitoral foi praticamente inexistente.
O chefe de Estado, eleito para novo mandato de cinco anos, garantiu que “a partir deste momento não há vencedores nem vencidos” e defendeu que “o país precisa definitivamente de virar a página da divisão, do ressentimento, da perseguição e do discurso do ódio”.
Numa conferência de imprensa na sede da candidatura, Vila Nova assegurou também que “a pacificação social será uma das grandes prioridades do mandato”.
E explicou porquê: “Não haverá desenvolvimento económico sem estabilidade social, não haverá progresso sem unidade social. Estenderei a mão a todas as forças políticas, às Igrejas, aos jovens, às mulheres, aos trabalhadores, aos empresários, à diáspora e à sociedade civil”.
Antes, afirmara que recebia “a indicação com humildade e responsabilidade” e saudou o que a convicção já o fizera adivinhar: “O nosso povo voltou a demonstrar que são Tomé e príncipe sabe resolver as suas diferenças pelo poder do voto e nunca pela força da violência”.
Razão pela qual, enfatizou, promete avançar para um novo mandato com o habitual respeito pela Constituição”, com um “compromisso renovado”.
Mais de 142 mil eleitores foram chamados hoje a escolher o Presidente, numas eleições marcadas pela crispação política, mas sem registo de incidentes de maior.
Carlos Vila Nova, que não contou agora com o apoio oficial da Ação Democrática Independente (ADI), recandidatou-se suportado por uma plataforma que incluiu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Partido de Convergência Democrática (PCD) e Partido Nossa Terra. Mas também de uma ala da oposição da própria ADI.
Nito d’Abreu, líder parlamentar da ADI, foi o candidato oficial, apoiado pela ala da ADI leal ao ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, cujo Governo foi demitido em janeiro de 2025 pelo chefe de Estado, Carlos Vila Nova.
Contou com o apoio de uma plataforma eleitoral que inclui também o Movimento de Cidadãos Independentes – Partido Socialista (MCI – Partido Socialista), Partido de Unidade Nacional (PUN) e Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP).
Para a observação das eleições presidenciais de domingo em São Tomé e Príncipe encontram-se no terreno várias missões internacionais, nomeadamente da União Europeia, da União Africana, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos países do G-7+, da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e ainda da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP).
Segundo a CEN, os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.
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