«Diz-se “chamar a atenção”, sem acento, ou “chamar à atenção”»?

Quantas vezes esta dúvida não ecoa nas nossas cabeças — e quantas vezes nós não a ignoramos simplesmente porque um acento não fará mal a ninguém?

Bem, antes de mais, façamos a ressalva: ter a dúvida não é vergonha nenhuma, mas ignorá-la talvez diga mais de nós — e sobre a nossa relação, tantas vezes descomprometida, com a nossa língua.

Vamos então ver como é que um pequeníssimo acento grave pode provocar tamanha diferença, não só na realização fonética de cada uma destas expressões mas também, e sobretudo, no seu significado.

Chamar a atenção — onde o <a> é um artigo definido feminino (e uma vogal semiaberta) que precede o substantivo atenção — é uma expressão que significa «despertar ou atrair o interesse de alguém para alguma coisa», isto é, utiliza-se quando queremos dizer que «captamos a atenção» de alguém, seja lá como for. Vejam-se os dois exemplos que se seguem:

1) «O pai chamou a atenção dos filhos gritando-lhes do cimo da árvore.»

2) «Um bom professor chama a atenção dos alunos através de boas exposições».

Como se vê, chamar a atenção rege-se pela preposição de, tendo em conta que é sempre necessário esclarecer ‘a quem é que pertence’ a atenção que queremos cativar.

Chamar à atenção — onde o <à> é o resultado da contracção de duas vogais semiabertas (o artigo definido a e a preposição a), que resulta numa vogal aberta presente em palavras como c[a]sa — é uma expressão que significa «chamar alguém para que essa pessoa preste atenção», «admoestar», «advertir» etc. Vejam-se os próximos exemplos:

3) «O pai chamou os filhos à atenção porque não se estavam a portar bem.»

4) «Quando fazem muito barulho, os alunos são chamados à atenção pelo professor».

Nestes exemplos, em que chamar à atenção pode ser sinónimo de «repreender», o importante é detectar o complemento directo da oração: isto é, quem é que se está a advertir ou a chamar.

É ou não é fácil?

Pois bem, deixa de falhar o acento, e nunca mais serás chamado à atenção!

Caso contrário, nada temas: a Escrivaninha não tenciona deixar de chamar a atenção dos seus leitores para os erros mais insistentes.

Escrivaninha

ETIQUETAS: 100 ERROS

Aceda a:

 

close
Subscreva as nossas informações
Partilhar