Se estruturar um texto pode, para muitos, parecer tarefa fácil, para outros tantos, criar o esqueleto que irá suster o nosso discurso e, posteriormente, tecer a rede discursiva é uma autêntica dor de cabeça.

Pois bem, para impedir que o vosso texto se transforme numa estrutura pouco consistente e pouco organizada e, consequentemente, para evitar que as vossas ideias não sejam expressas da forma mais clara, hoje partilhamos convosco algumas regras básicas que garantirão o rigor dos vossos textos.

Vamos, então, conhecê-las e, preferencialmente, guardá-las numa suite presidencial da nossa memória, pode ser?


Regras para escrever um bom texto:

1.ª Saber exatamente que tipo de texto que vamos escrever e ter em conta o público a quem ele se destina. Qual é, afinal, o público-alvo, o leitor ideal a quem o meu texto se destina? A partir da resposta a esta questão, definiremos o tom e estilo da linguagem do nosso texto.

2.ª Listar os tópicos importantes a referir e/ou explorar ao longo do texto, num rascunho e, posteriormente, organizá-los por denominadores comuns. Estes elementos deverão, depois, ser distribuídos ao longo do texto.

3.ª Agora, o clássico: planificar o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão, atribuindo, a essas três partes, títulos que condensem «ideias-mãe»/ «ideias-chave» que devem ser orientadoras.

4.ª Retomar o rascunho anteriormente feito e (agora sim) distribuir os tópicos da lista pelas três partes do texto — consoante a ideia a que se vinculam —, para que depois possamos começar a escrever o nosso texto.

5.ª Durante o acto de escrita propriamente dito, não esquecer o uso dos diferentes conectores (expressões e palavras como «porém», «contudo», «além disso», «por exemplo» etc) que nos ajudem a conferir sentido às nossas ideias, criando contrastes, exemplificando determinado argumento, isto é, ajudando-nos a dar corpo ao nosso raciocínio.

De facto, são, sobretudo, estas palavrinhas que garantem a articulação do discurso/pensamento e que, por assim dizer, ‘cosem as frases’, fazendo com que o texto deixe de ser uma mera listagem ou amálgama de frases soltas sem qualquer relação entre si, para se tornar num texto perceptível e lógico.

6.ª Ainda durante a escrita, é crucial não nos esquecermos de pontuar bem o texto — sim, pode parecer básico, mas parece que há quem se esqueça que vírgulas, pontos, travessões, pontos de interrogação e outros pontos que tais existem para ajudar a tornar o encadeamento das ideias mais ordeiro e metódico, de modo a que, durante a leitura do texto, o leitor não perca o fio à meada e consiga seguir o raciocínio do autor. Além disso, um texto bem pontuado torna-se também mais expressivo, mais vivo e, claro, mais atrativo.

7.ª Seguir a máxima docere, delectare, movere — ou seja garantir que o nosso texto ensina, deleita e (se for o caso) persuade quem o lê. Para isso, há uma panóplia de recursos estilísticos que ajudam o nosso texto a ter ainda mais movimento e impacto sobre quem o lê — tornando-o numa espécie de organismo vivo que interpela, abana e belisca o seu leitor. Por isso, — se o texto não for académico, excessivamente formal, jornalístico e/ou técnico — as metáforas, hipérboles, ironias, repetições (entre tantos outros recursos de estilo) são sempre bem-vindos!

8.ª Por último, não se esqueçam da última regra de ouro: reler o texto — de preferência em voz alta, já que facilita a detecção de incorrecções gramaticais, os eventuais ajustes de pontuação e a substituição de vocábulos por sinónimos — , favorecendo, claro, uma melhor percepção do ritmo (ou da falta dele) do discurso.

Rever atentamente o que escrevemos, eliminando erros e gralhas, é essencial. Pode, aliás, levar a que reescrevamos alguma ideia que não esteja tão clara ou que tenhamos parafraseado em demasia. A revisão trata-se, portanto, de depurar o texto e de garantir que damos a ler a melhor versão possível do que escrevemos.

Meus caros, se o texto perfeito não existe e só ao texto aperfeiçoado podemos almejar, toca a aplicar religiosamente estas regras.

Com a ajuda de: Escrever bem em 7 passos

ETIQUETAS: CONVERSA FIADA

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