São Tomé, 15 jul 2026 (Lusa) – Em Almerim, na capital são-tomense, um ancião é escolhido para fazer o elogio ao Presidente e recandidato às eleições de domingo, faz as perguntas e responde: “Vocês conhecem Messi? E Ronaldo? Nós temos Vila Nova”.
O Presidente, sempre rodeado de elementos da guarda presidencial, chegara a uma das paragens rápidas programadas, desta vez num largo mais empoeirado, a envergar uma ‘t-shirt’ onde se podia ler nas costas “Sou também Vila Nova”. Breve contacto, mas com tempo suficiente para ser apresentado como um homem “com talento para negociar, que uniu todos os partidos”.
Se nos cafés se dizia hoje que mudara “de tática” e agora a campanha era feita “porta a porta”, a estratégia da caravana parecia continuar a investir numa espécie de ‘toca-e-foge’ à beira da estrada, até porque a cinco dias das eleições há ainda muitas localidades para palmilhar.
Antes, em Água Arroz, uma das apoiantes justificava o voto: “O Vila Nova é mais velho, é sábio a dar conselhos”, pouco segundos antes do atual chefe de Estado aconselhar todos a levantarem-se cedo e não irem ‘na cantiga’ daqueles que garantem que as eleições estão ‘no papo’ e que não é preciso ir votar.
“A cinco dias das eleições, é votar no quadradinho cinco, para mais cinco anos” à frente da Presidência, lembrou Vila Nova, alertando que a festa é domingo, mas “isto não para brincar” porque “o assunto é sério”, já que vão eleger “quem os vai representar dentro e fora do país”.
Mais à frente, em Caixão Grande, num triângulo de terra batida que separa duas estradas, um gerador que alimenta a coluna do som quase abafa o discurso do recandidato, que reitera uma das ideias-chave da campanha: “Não podemos deixar isto nas mãos de qualquer um, para podermos viver em paz e harmonia”.
Uma das populares deixa também o testemunho, agarrada a um microfone que vai sofrendo cortes na ligação à coluna instalada numa carrinha de caixa aberta, com o candidato a ironizar, dizendo que haveria alguma espécie de sabotagem. Também ela enfatiza um dos avisos de Vila Nova, de que o Presidente não faz milagres e que é o Governo que… governa: “Sabemos que estrada estragada é com ministro, não é com o Presidente, mas temos a certeza de que vai ajudar o povo de Caixão Grande”.
Carlos Vila Nova, que não conta agora com o apoio da Ação Democrática Independente (ADI), recandidata-se suportado por uma plataforma da oposição, que incluiu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Partido de Convergência Democrática (PCD) e Partido Nossa Terra. Mas também de uma ala dissidente da ADI.
O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho, mas Jorge Bom Jesus anunciou a sua desistência, ainda que já fora do prazo legal. Nito d’Abreu, Eugénio Tiny e Miques João são os restantes candidatos.
Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.
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