Valter Hugo Mãe e Solano Benítez entre convidados da Casa da Arquitetura para a FLIP+ no Brasil

Matosinhos, Porto, 15 jul 2026 (Lusa) – Os escritores Valter Hugo Mãe e Ignácio de Loyola Brandão e o arquiteto Solano Benítez participam na estreia da Casa da Arquitetura com programação própria na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), no Brasil, entre 23 e 26 de julho.

Estes são alguns dos nomes entre mais de meia centena de convidados portugueses e brasileiros que estarão presentes em 16 mesas de debate, lançamentos editoriais e encontros dedicados à literatura, arquitetura, património, território, ambiente e alterações climáticas, segundo a programação hoje divulgada pela Casa da Arquitetura — Centro Português de Arquitetura, responsável pela sua curadoria.

A iniciativa resulta de uma parceria entre a Casa da Arquitetura e o festival literário, no âmbito do programa FLIP+, que tem por objetivo ampliar abordagens e “articular novas vozes, linguagens e canais de diálogo”, a par da programação geral de raiz literária do festival, como indica por seu lado a organização da FLIP.

A FLIP decorre este ano de 22 a 26 de julho, com um programa que homenageia a poetisa brasileira Orides Fontela (1940-1998), vencedora do Prémio Jabuti (1983), reunindo ainda autores como José Tolentino Mendonça, Djaimilia Pereira de Almeida e Ana Paula Tavares, Andrea del Fuego, Cármen Lúcia, Conceição Evaristo, Marília Garcia e Milton Hatoum, Andrei Kurkov, Kamel Daoud, Maria Reva e Zadie Smith.

No âmbito da parceria com a Casa da Arquitetura para a FLIP+, é proposto um programa, ao longo de quatro dias, que cruza criação literária, pensamento contemporâneo, arquitetura e políticas públicas, com o objetivo de reforçar o diálogo cultural entre Portugal e Brasil, segundo a organização.

A programação abre com “Quando o século”, encontro entre o escritor português Valter Hugo Mãe e a romancista brasileira Carla Madeira, dedicado ao tempo presente, à memória, à fragilidade humana e ao papel da literatura perante os desafios do século XXI.

Valter Hugo Mãe regressará ao programa no último dia para conversar com o escritor brasileiro Ignácio de Loyola Brandão sobre memória coletiva, transformações sociais e a capacidade da literatura para imaginar futuros possíveis.

Também a arquitetura e o território ocupam um lugar central neste programa da FLIP+, começando pela sessão inaugural, com a participação do arquiteto paraguaio Solano Benítez, distinguido com o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza, num debate com a arquiteta portuguesa Inês Lobo, moderado pelo crítico de arquitetura Fernando Serapião, sobre novas formas de interpretar e transformar o território.

As alterações climáticas e a adaptação das cidades constituem outro dos eixos do programa, reunindo arquitetos, paisagistas, investigadores e responsáveis públicos para discutir soluções para espaços urbanos mais resilientes e sustentáveis.

Entre os participantes estarão a ministra portuguesa do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, e o ministro brasileiro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que participam numa conversa dedicada aos compromissos climáticos e às políticas de transformação territorial após a COP30.

Outro debate sobre estratégias urbanas para cidades em contexto de alterações climáticas, reúne Paula Mascarenhas, Renato Ogawa e o secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado.

A arquitetura como fator de desenvolvimento económico e valorização cultural dos territórios será outro dos temas abordados, numa conversa entre o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, o diretor-executivo da Casa da Arquitetura, o arquiteto Nuno Sampaio, e especialistas portugueses e brasileiros ligados ao turismo e ao património.

A dimensão editorial da Casa da Arquitetura estará também representada com o lançamento de três publicações, entre elas “Lucio Costa Arquivo”, que prolonga o trabalho de investigação desenvolvido a partir do espólio do urbanista brasileiro preservado pela instituição portuguesa, e uma nova edição de “Raízes do futuro: Lucio Costa e a tradição moderna”, enriquecida com documentação inédita daquele acervo.

Será igualmente apresentado “Construir o aberto. Arquitectura e verso”, publicação que reúne poesia, arquitetura e fotografia num percurso dedicado à arquitetura do norte de Portugal, acompanhada por um recital de poemas de Eucanaã Ferraz e Maria Ribeiro.

A literatura regressará ao centro da programação na mesa “O futuro como biblioteca: palavras, utopias e distopias”, promovida pelo Pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Porto e moderada por Jorge Sobrado, vereador com a área da Cultura, reunindo Eliana Alves Cruz, Rui Couceiro e Vivien Mercier Suarez para refletir sobre o futuro do livro, da leitura, das bibliotecas e dos festivais literários enquanto espaços de pensamento crítico e cidadania.

O programa inclui ainda conversas sobre património, ambiente, metrópoles contemporâneas e gastronomia como expressão da identidade cultural, reforçando a proposta da Casa FLIP + Casa da Arquitetura como espaço de encontro entre literatura, arquitetura e pensamento contemporâneo.

A participação da Casa da Arquitetura na FLIP+ surje na sequência da parceria anunciada este ano entre as duas instituições, criada para integrar no festival um programa permanente dedicado à arquitetura, ao património e ao território, complementando a programação literária da iniciativa e reforçando a cooperação cultural entre Portugal e Brasil, recorda ainda a organização.

AG // MAG – Lusa/Fim

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