Genebra, 10 mar (Lusa) – Portugal conheceu o maior incremento de mulheres nos parlamentos entre os países lusófonos, tendo um resultado superior à média europeia, indicou hoje à Lusa a diretora dos programas da União Interparlamentar (UIP), Karen Jabre.

“Portugal, em comparação com os países europeus, obteve um bom resultado. A média europeia é de 25, 4 por cento”, disse Karen Jabre, na sequência da divulgação do relatório anual da organização com sede em Genebra.

O número de mulheres eleitas na Assembleia da República passou de 31, 3% em 2014 para 34, 8% em 2015, mas Portugal continua em 30.ª posição na lista global.

A perita sublinhou ainda que “mais oito mulheres acederam ao parlamento após a formação do Governo” em Portugal.

O Brasil conheceu um ligeiro aumento no número de mulheres no parlamento em 2015 em relação ao ano anterior, encontrando-se atualmente 9, 9% de mulheres na Câmara dos Deputados e 16% de mulheres no Senado Federal, enquanto no ano anterior se contabilizava 09% de mulheres na Câmara dos Deputados e 13, 6% de mulheres no Senado Federal.

Apesar de melhorar a sua pontuação, o Brasil ainda ocupa a última posição entre os países lusófonos e está no 154.º lugar da classificação da organização.

“Com 9, 9% de mulheres na câmara baixa, a percentagem é relativamente baixa em relação aos 27, 7% da região das Américas”, disse a especialista da UIP.

Os restantes países lusófonos não conheceram alterações particulares em relação às estatísticas divulgadas no ano passado. “Não houve eleições naqueles países lusófonos. Isso explica a ausência de mudança”, disse Karen Jabre.

Moçambique continua a ser o país lusófono com o maior número de mulheres no parlamento. O país ocupa o 15.º lugar, com 39, 6% de mulheres no parlamento, mas perdeu dois lugares em relação ao ano anterior apesar de manter as mesmas estimativas.

A Moçambique seguem-se, por ordem decrescente, Timor-Leste, Angola, Portugal, Guiné Equatorial, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Brasil.

Em 20.ª posição, Timor-Leste perdeu dois lugares em relação ano anterior, com 38, 5% de mulheres representadas no parlamento nacional. Como no ano anterior, o país obtém o melhor resultado da região Ásia e Pacífico.

Angola ocupa a 23.ª posição na classificação da IPU, com 36, 8% de mulheres representadas no parlamento. O país sobe cinco lugares, sem conhecer nenhum incremento no número de deputadas.

Guiné Equatorial está no 68º lugar da classificação mundial, com 24% de mulheres representadas no parlamento, enquanto Cabo Verde ocupa o 80.° lugar, com uma Assembleia Nacional constituída por 20, 8% de mulheres.

Já São Tomé e Príncipe está na 110.ª posição, com 18, 2% de mulheres representadas, seguido da Guiné-Bissau, no 129.º lugar, com 13, 7% de mulheres.

Comparativamente a 2014 (22, 1%), a nível mundial, a percentagem de mulheres representadas em parlamentos subiu sensivelmente em 2015 para 22, 6%.

Desde a adoção em 1995 do programa de Pequim para a Emancipação das mulheres, a média mundial passou de 11, 3% em 1995 para 22, 1% em 2015 e atinge atualmente 22, 6% .

Ruanda, Bolívia e Cuba estão à cabeça da lista na representação de mulheres no parlamento.

A perita acrescenta que “quotas sólidas, com sanções, partidos políticos engajados, vontade política e mulheres capacitadas” são iniciativas chaves para aumentar o número de mulheres nos parlamentos.

O relatório referencia a nível mundial o número de mulheres nos parlamentos até dia 01 de janeiro 2016.

A classificação da UIP abarca 191 países.

A UIP agrupa 166 membros e 10 membros associados e foi criada em 1889, com sede em Genebra, na Suíça.

VYE // APN – Lusa/Fim

VER:

Parlamento timorense, 11 de janeiro de 2014, Dili, Timor-Leste. ANTÓNIO AMARAL/LUSA

Parlamento timorense, 11 de janeiro de 2014, Dili, Timor-Leste. ANTÓNIO AMARAL/LUSA

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