Maputo, 21 jul 2026 (Lusa) – O Camões – Centro Cultural Português em Maputo assinalou hoje os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) com o lançamento da coletânea “As casas ainda respiram”, reunindo 15 autores dos nove Estados-membros para celebrar diversidade.
A obra reúne poemas, contos e excertos de romances de escritores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, procurando reforçar o diálogo literário e cultural entre os países da comunidade.
“Vamos celebrar os 30 anos da CPLP, [que] foi criada há 30 anos com a visão estratégica. Nós entendemos que a raiz do alicerce principal é a língua portuguesa (…). A CPLP deve ser valorizada, mantida e aprofundada”, disse o diretor do Camões, José Manuel Amaral, aos jornalistas, à margem da apresentação da obra.
Segundo José Manuel Amaral, a coletânea pretende mostrar que a língua portuguesa se enriquece com as diferentes realidades e identidades dos países que a partilham, preservando a diversidade cultural da comunidade.
“É uma maneira de mostrar que a língua tem diversas cores, diversas expressões. É uma língua muito rica, em movimento, não pertence a ninguém, é de quem a fala”, afirmou.
Com 170 páginas, “As casas ainda respiram” resulta de uma parceria entre o instituto Camões em Maputo e a plataforma Catalogus, reunindo textos maioritariamente já publicados de autores convidados para assinalar os 30 anos da CPLP.
O cofundador da Catalogus, Mélio Tinga, explicou que a iniciativa procurou aproximar escritores dos diferentes países lusófonos e criar um espaço comum de circulação literária.
“Falamos a mesma língua, mas poucas vezes temos iniciativas que cruzam estes países. Este é um bom ponto de partida para ampliar as diferentes vozes dos países que escrevem em língua portuguesa”, afirmou.
A escritora moçambicana Virgília Ferrão, uma das autoras incluídas na coletânea, considerou que a publicação facilita o contacto dos leitores com escritores dos vários países da comunidade, num contexto em que a circulação do livro continua a ser um desafio.
“Esta coletânea é importante porque nos permite conhecer vários outros autores que, em condições normais, teríamos menos oportunidades de conhecer”, declarou.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa celebrou o seu 30.º aniversário em 17 de julho, data que assinala a criação da organização, em 1996, em Lisboa, atualmente composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
A Embaixada de Portugal e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo acolhem no próximo dia 21 de Julho, às 17h30, o lançamento da obra “As casas ainda respiram”, uma colectânea literária comemorativa dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sob a chancela da Catalogus.
O livro resulta de uma iniciativa conjunta do Camões – Centro Cultural Português em Maputo e da Catalogus, reúne uma selecção de textos de escritores e poetas da literatura em língua portuguesa, com o propósito de celebrar a língua comum e o diálogo intercultural, mas também de introduzir no cenário literário moçambicano alguns autores que se destacam na contemporaneidade.
Composta por 170 páginas, “As casas ainda respiram” integra textos de Alice Pina, Álvaro Fausto Taruma, Ana Bárbara Pedrosa, Calila das Mercês, Camila Afonso, Cheila Delgado, Edson Incopté, Elisângela Rita, Eltânia André, Helena Abrahamsson, Israel Campos, Jamila Pereira, Rita Canas Mendes, Samuel F. Pimenta e Virgília Ferrão.
Na nota de apresentação da colectânea, José Manuel Amaral Lopes, director do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, destaca: “Ao celebrar os trinta anos da CPLP, celebramos também a força de uma língua que aproxima povos sem apagar as suas singularidades. Uma língua que continua a construir pontes entre continentes, a promover o diálogo, a incentivar a criação literária e a afirmar que a diversidade cultural é um dos mais valiosos legados da lusofonia.”


