A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) instou o governo de transição liderado pelos militares na Guiné-Bissau a libertar incondicionalmente todas as figuras políticas detidas, incluindo o líder da oposição, Domingos Simões Pereira, no final de uma cimeira de chefes de Estado realizada na Serra Leoa, segundo um comunicado.
A CEDEAO afirmou, num comunicado divulgado na noite de segunda-feira, 20 de julho, que a libertação de todos os presos políticos poderá «reforçar a credibilidade do processo de transição». Os atuais dirigentes da Guiné-Bissau tomaram o poder através de um golpe de Estado em novembro do ano passado e aprovaram uma carta de transição com a duração de um ano no mês seguinte.
Domingos Simões Pereira, antigo primeiro-ministro e líder do histórico partido PAIGC, foi novamente conduzido à prisão a 10 de julho, segundo disse a sua família à Reuters na semana passada. Tinha sido inicialmente detido no dia do golpe de Estado do ano passado, mas passou para prisão domiciliária em fevereiro, numa aparente tentativa de responder às exigências da CEDEAO. Simões Pereira é acusado de crimes económicos e de envolvimento numa alegada tentativa de golpe de Estado em outubro de 2025, acusações que rejeita.
Segundo o comunicado da CEDEAO, a Guiné-Bissau deverá realizar um referendo constitucional a 30 de agosto, seguindo-se eleições legislativas em 6 de dezembro de 2026.
O Governo da Guiné-Bissau ainda não anunciou oficialmente essas datas eleitorais.
Um porta-voz do Governo não respondeu de imediato, na terça-feira, a um pedido de comentário da Reuters sobre a situação de Domingos Simões Pereira.
Fonte: Bissau on-line

