6 March 2021
Com uma voz arrebatada, Tie Rigen - ou "Fernando", o nome que adopou nas aulas de português - ganhou hoje o terceiro Festival da Canção Lusófona de Pequim e uma boa mesada para um estudante chinês: 1.200 yuan (150 euros).

A cantar em português é que muitos chineses se entendem

“Gosto de cantar. Queria escolher uma canção portuguesa, do grupo Os Azeitonas, mas essa já estava escolhida e escolhi entao “Amor não é pecado”, de Luan Santana”, disse Fernando à agência Lusa no fim do festival, realizado num salão da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (Beiwai).

O festival contou com o apoio da Embaixada de Portugal na China e a secção portuguesa da Rádio Internacional da China (CRI), e a participação de estudantes de cinco universidades com licenciaturas em português

Como seis dos outros sete concorrentes, maioria raparigas, Fernando optou por uma música do Brasil: “Luan Santana é o músico brasileiro de que eu mais gosto. Também gosto de ouvir fado, mas não consigo cantar”.

Natural da Mongólia Interior, Fernando é aluno do 2º ano de português da Beiwai, escola superior que ministra a mais antiga licenciatura de português da República Popular da China, criada em 1961.

A sua colega Catarina obteve o 2º premio, no valor de 500 yuan (63 euros), com uma interpretaçao do tema “Anda Comigo ver os aviões”, do grupo Os Azeitanos, e Lídia e Margarida, um duo da Beijing Language and Culture University (BLCU), partilharam os 300 yuan (38 euros) do 3º premio.

“É fundamental os alunos terem oportunidade de praticar o que aprendem nas aulas. O objetivo de aprender uma lingua é desenvolver a competência comunicativa e, neste tipo de eventos, os alunos têm mesmo de comunicar”, realçou Clara Oliveira, professora da Beiwai, aecrca da importância pedagógica do festival.

“Além disso, uma língua não é língua sem uma vertente cultural”, acrescentou.

No início da década de 1960, não contando com Macau e Hong Kong, a Beiwai era a única universidade da China com licenciatura em portugues.

Hoje, há dezoito, em mais de uma dezena de cidades, e segundo adiantou uma professora, no próximo ano, só em Pequim, deverão abrir mais duas.

O aumento está associado ao rápido desenvolvimento das relações económicas entre a China e a Comunidade dos Países de Lingua Portuguesa.

Em 2009, a China tornou-se no maior parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos, e cerca de 260.000 chineses trabalham em Angola, sobretudo na construção civil e reabilitação de infraestruturas.

“Antes de entrar para este curso, ouvi dizer que as relações com a CPLP estavam cada vez melhores. Saber português dá boas oportunidades de emprego”, contou o muito aplaudido vencedor do 3º. Festival da Canção Lusófona de Pequim.

Além do primeiro prémio atribuído pelo júri, no valor de 1.000 yuan (125 euros), Fernando ganhou o “Prémio do Público”, de 200 yuan (25 euros). Tudo somado equivale ao salário mínimo mensal em algumas províncias da China.

Quanto à dificuldade do português, Fernando respondeu de forma ainda mais pragmática: “Pelo que li na Internet, o chinês é considerada a língua mais difícil do mundo e eu consegui aprender chinês”.

 

AC // PJA – Lusa/Fim

Foto: LUSA – Alunos chineses durante uma aula de português (03/11/2010)

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