Muitas são as diferenças entre este par e, no entanto, confundimo-lo constantemente. É verdade que nuestros hermanos usam mais do que nós o «tampouco», que parece quase ter caído em desuso entre nós, portugueses. Mas não é difícil usá-lo em condições e orgulhar o peito luso. Na expressão «tão pouco» temos duas palavras. «Tão» é advérbio e «pouco» pode-se ser usado como advérbio (frase 3.) ou como pronome indefinido, e neste último caso concorda em género e número com o nome a que diz respeito (frases 1, 2 e 4.)

Vejamos como e quando usá-las.

Ex:

1. Tenho tão pouco dinheiro e tão pouca ambição para ganhar mais… — chorou o Manuel.

2. É só cunhas! Tão pouco mérito nessa tua nomeação, Álvaro!

3. Sei tão pouco… — pensou.

4. Há tão poucos alunos estudiosos… Tão pouca sede de aprender.

Já «tampouco» é apenas uma palavra formada por aglutinação e trata-se de um advérbio com o sentido de «também não», «sequer», «muito menos». Deve usar-se quando a frase nega uma ideia diferente daquela que se expressou anteriormente.

Leiam-se os exemplos:

1. Ela não fez os trabalhos de casa tampouco estudou para passar.

2. Desleixados! Não fazem exercício tampouco têm cuidado com a alimentação.

3. O Carlos e o Sílvio são irmãos… mas não se conhecem, tampouco têm amigos em comum.

4. Não leio jornais nem revistas, tampouco leio bulas.

E claro: não é aconselhável usar o pleonasmo «nem tampouco», que por vezes se ouve. O «tampouco» faz o trabalho todo. Não se deve lá pôr mais uma partícula de negação!

Já sabeis: se lerdes os textos da Escrivaninha, ireis dar tão poucos erros, ou mesmo nenhuns, que não ireis defraudar a memória do Camões; tampouco perder um date por conta da ortografia manhosa de algum bilhete amoroso.

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