Dino d'Santiago e Karyna Gomes, na conversa no Centro Cultural de Cabo Verde. 
Foto: Rita Ansone
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Lisboa, 26 dez 2021 (Lusa) – A comunidade lisboeta que fala crioulo acolheu tão bem as notícias escritas nesta língua no jornal online A Mensagem que viu nisso “um ato cultural e quase político”, segundo a diretora desta publicação.

“Foi absolutamente espetacular. Nós nem sequer percebíamos que havia tanta necessidade de dar valor a esta comunidade, que se sentia, se calhar, um bocadinho desprotegida, se calhar um bocadinho afastada do centro”, disse à agência Lusa Catarina Carvalho, sobre a reação a esta inovação.

Os artigos jornalísticos escritos em crioulo começaram a ser divulgados no site e nas redes sociais do jornal durante este mês de dezembro e as reações superaram as melhores expetativas da equipa que o produz.

“O projeto nasce desta visão de que A Mensagem reúne todas as comunidades de Lisboa e, de facto, quando começamos a ouvir a rádio, a andar nos transportes públicos, a andar na rua, vemos que há uma parte importante da população de Lisboa que fala crioulo, quase como primeira língua”, afirmou Catarina Carvalho.

O projeto avançou com uma bolsa do programa europeu NewsSpectrum e com o cantor Dino d´Santiago como padrinho, que apresentou a ideia à cantora e jornalista Karyna Gomes, atual responsável pela edição em crioulo do jornal.

A iniciativa tinha ainda um propósito mais abrangente: “Integrar, de uma forma ainda mais profunda esta comunidade que fala crioulo e que, no fundo, é Lisboa também. É isso que é importante dizer: Lisboa é isto tudo”, referiu Catarina Carvalho.

Sobre esta Lisboa crioula, a jornalista considera-a “igual às outras. É misturada, é superdinâmica é superinteressante, mas se calhar precisa de ser ouvida e é muito pouco ouvida nos media tradicionais”.

“Esta é a Lisboa que se sente valorizada e que, no fundo, também sempre devia ser, porque se virmos os lugares do top, a quantidade de músicas que são descarregadas hoje em dia no Spotify ou no YouTube, etc., são muitas e diria que, se calhar, na sua maioria são em crioulo”, acrescentou.

E sublinhou: “Não faz nenhum sentido que os órgãos de comunicação social não prestem atenção a estas comunidades. Estão muito centrados numa bolha e é preciso abrir e picar essa bolha e sair cá para fora”.

A inovação não vai parar por aqui e Catarina Carvalho revelou que, em breve, avançará um projeto que vai incluir a comunidade que chegou do Afeganistão a Portugal.

Sobre o jornal, em termos globais, a diretora acredita que cumpre o objetivo de contar as histórias de uma cidade que está cheia delas.

“Nós não fazemos notícias, nós fazemos histórias e fazemos as histórias que a cidade tem”, resumiu.

A Mensagem tem a sua sede no café A Brasileira, no Chiado, propriedade do sócio investidor do jornal, e teve como sócios fundadores Catarina Carvalho e Ferreira Fernandes.

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