Adis Abeba, 19 ago 2025 (Lusa) – A vice-presidente da Comissão da União Africana (UA), Selma Malika, defende que o mapa que é geralmente utilizado para representar o mundo não reflete a grandeza do continente africano, defendendo uma nova representação de África.
“O mapa [Mercator] dá a ideia falsa de que África é marginal”, disse Malika quando apresentou o apoio a uma iniciativa que defende uma representação mais fidedigna do tamanho do continente africano.
O apoio da UA à iniciativa visa “recuperar o lugar que África merece no cenário global”, num momento em que aumentam os apelos para que os impactos persistentes do colonialismo e da escravatura sejam reconhecidos e, quando possível, reparados.
Publicado pela primeira vez em 1599 pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator, o mapa Mercator foi concebido para auxiliar a navegação marítima, mas há muito que é criticado por distorcer as massas continentais, uma vez que, ao esticar as áreas próximas dos polos, aumenta o tamanho da Europa, da América do Norte e da Gronelândia, enquanto reduz o tamanho dos continentes mais próximos do equador, como África e a América do Sul.
Apesar de ser o segundo maior continente do mundo, com mais de mil milhões de pessoas em 55 países e uma economia combinada de mais de 2,5 biliões de euros, a representação reduzida de África nos mapas distorce há muito as perceções, influenciando a educação, as políticas, a economia e as narrativas sobre o continente, argumentam os promotores da iniciativa ‘Correct the Map’, promovida pelos grupos ativistas Africa No Filter e Speak Up Africa, que defendem a projeção ‘Equal Earth’.
“A projeção de Mercator exagera artificialmente o tamanho da Europa e da América do Norte, enquanto reduz o tamanho de África, reforçando uma narrativa de marginalidade”, afirmaram os analistas da Oxford Economics.
Numa nota de análise enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, os peritos do departamento africano desta consultora britânica admitem que “corrigir esta imagem não trará ganhos políticos ou económicos imediatos”, mas salientam que “a perceção é importante, porque a forma como África é representada influencia a forma como a sua escala, mercados e peso político são entendidos globalmente”.
Lembrando que “as próprias fronteiras africanas foram traçadas arbitrariamente durante a ‘Partilha da África’, na Conferência de Berlim de 1884, lançando as bases para a atual economia política da África, que é orientada para a extração em vez da integração ou do desenvolvimento interno”, a Oxford Economics conclui que “para a UA e para os africanos, reformular o mapa mundial para refletir a verdadeira dimensão de África é mais do que simbólico, é um ato deliberado de correção histórica e uma afirmação clara da agência e centralidade do continente na economia política global”.
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