Independências: É preciso reconhecer falhas para reconciliação plena entre timorenses – antigo militar

Díli, 17 ago 2025 (Lusa) – Antigo militar português e ex-membro das Falintil, Antoninho Pires afirmou que, 50 anos depois da proclamação unilateral da independência, é preciso reconhecer as falhas para uma reconciliação plena entre timorenses num país ainda em construção.

Antoninho Pires referia-se ao mês de agosto de 1975, quando um golpe da União Democrática Timorense (UDT), no dia 11, e um contragolpe da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), no dia 20, levaram a uma “breve, mas sangrenta guerra civil” pelo controlo território, como referem os investigadores portugueses Zélia Pereira e Rui Feijó no “Connecting Portuguese History”.

O conflito entre timorenses deixou marcas e feridas, que 50 anos depois da declaração unilateral da independência (a 28 de novembro de 1975) e da ocupação indonésia (a 07 de dezembro de 1975) ainda estão por sarar.

“As marcas ainda permanecem até hoje, mesmo que estejamos a tentar fazer a reconciliação. A nossa fraqueza é que temos de reconhecer as nossas falhas para depois construir a paz. A partir do reconhecimento das falhas, é que podemos deixar o que não é bom e fazer o melhor”, salientou o antigo militar.

Em 11 de agosto de 1975, Antoninho Pires fazia parte das forças armadas portuguesas e manteve a neutralidade, mas a 20 de agosto juntou-se às Forças Armadas de Libertação de Timor-Leste (Falintil), braço armado da Fretilin.

“Naquele momento foram tempos difíceis. Os inimigos éramos nós mesmos, os timorenses. Era uns contra os outros”, recordou Antoninho Pires.

Em setembro de 1975, o conflito termina, a Fretilin assume o controlo do país e Antoninho Pires é destacado para Liquiçá, cidade situada na costa norte de Timor-Leste a cerca de 30 quilómetros de Díli, como coordenador das forças até à ocupação da Indonésia.

“Depois de os indonésios ocuparem Liquiçá evacuámos para a montanha e fiquei a coordenar as forças. Primeiro como comandante de companhia, depois de zona e por último como colaborador de setor até ser capturado, em abril de 1979” pelos indonésios, explicou à Lusa.

Libertado um ano depois, Antoninho Pires regressa a Díli, com a obrigação de se apresentar periodicamente às autoridades indonésias, onde reencontra a mulher e a filha, que nasceu na montanha.

Questionado sobre os 50 anos de declaração unilateral da independência de Timor-Leste, Antoninho Pires disse que os timorenses ainda estão a tentar desenvolver o país para “chegar a um fim, que é a prosperidade do povo e do país”.

Para o antigo membro das Falintil, o caminho “ainda é longo” e tudo está em “fase de construção”.

Com 71 anos e a trabalhar no Ministério da Educação, Antoninho Pires preside também à Associação dos Antigos Servidores do Estado Português, com cerca de 4.000 associados, quase todos com dupla nacionalidade (portuguesa e timorense).

MSE // VM – Lusa/Fim

O primeiro Ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, vestindo um traje tradicional, em visita à aldeia de Likisa, Tmor-Leste. 11 de agosto de 2010. EPA/ANTONIO DASIPARU.
Subscreva as nossas informações
Scroll to Top