Semba angolano e maracatu do Brasil nas candidaturas a Património Imaterial da UNESCO

Lisboa, 21 out 2026 (Lusa) – O semba angolano, o maracatu e o ritual Yaokwa, do Brasil, estão entre as manifestações culturais que serão examinadas pela UNESCO em dezembro, durante a sessão do Comité para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, na China.

O Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial reúne-se na cidade chinesa de Xiamen, entre 30 de novembro e 05 de dezembro, para analisar 64 candidaturas apresentadas por 82 países, num processo que destaca a diversidade das tradições vivas e a crescente cooperação internacional na sua preservação.

Entre as candidaturas de países de língua portuguesa estão o semba, música e dança de Angola, e duas manifestações brasileiras: as práticas devocionais e apresentações artístico-rituais do Maracatu Nação, em Pernambuco, e o Yaokwa, ritual do povo indígena Enawene Nawe associado à manutenção da ordem social e cósmica.

O Yaokwa integra o processo de transferência de um elemento da Lista do Património Cultural Imaterial que Necessita de Salvaguarda Urgente para a Lista Representativa, num reconhecimento dos resultados alcançados pelos esforços de preservação.

A agenda deste ano inclui 59 candidaturas à Lista Representativa, cinco das quais correspondem a pedidos de extensão de elementos já inscritos para abranger outros países ou comunidades, quatro candidaturas à Lista do Património Cultural Imaterial que Necessita de Salvaguarda Urgente e um pedido de transferência entre listas.

O programa evidencia também a dimensão internacional da salvaguarda do património vivo: serão examinadas 18 candidaturas multinacionais, o dobro das analisadas em 2025, refletindo o interesse crescente em reconhecer tradições partilhadas entre países e comunidades.

A sessão poderá ainda assinalar a primeira inscrição de elementos de quatro países africanos — Essuatíni, Lesoto, Sudão do Sul e República Unida da Tanzânia —, enquanto os Barbados apresentam uma candidatura, dando visibilidade aos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.

Entre as outras manifestações em análise estão a culinária chinesa, que reúne conhecimentos e práticas associados à preparação e partilha das refeições, e o fabrico tradicional de feltro em oito países, do Azerbaijão ao Uzbequistão, uma técnica coletiva que transforma a lã em materiais utilizados em tapetes, vestuário e coberturas de habitações tradicionais.

A lista inclui ainda o ténis de rua dos Barbados, que surgiu como resposta à exclusão social dos clubes de ténis, o conhecimento artesanal associado ao chapéu tradicional Basotho, no Lesoto, as celebrações de Santa Bárbara ligadas às comunidades mineiras da Polónia, Áustria e Luxemburgo, e a Jota, género de música e dança tradicional de Espanha.

Para a UNESCO, o património cultural imaterial abrange práticas, representações, conhecimentos e competências reconhecidos pelas comunidades como parte da sua herança cultural. Transmitidas entre gerações, estas tradições incluem expressões orais, artes performativas, rituais, práticas sociais e festividades, adaptando-se às transformações das sociedades.

A organização destaca o contributo destas manifestações para a identidade e o sentimento de pertença, a coesão social, o diálogo e o respeito pela diversidade cultural, sob o tema do “bem-estar harmonioso”, que orienta a sessão deste ano.

O semba foi elevado a património histórico-cultural imaterial nacional em 2023, por iniciativa do Governo angolano, que preparou a candidatura deste género musical e estilo de dança, juntamente com a kizomba, a Património da Humanidade, para inscrição na lista de património imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a qual vai agora ser analisada.

TEYM (RCR) // MLL – Lusa/Fim

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