O segundo álbum solo da cantora e compositora Juliana Linhares, intitulado “Até Cansar o Cansaço” , compositora e atriz brasileira está nomeado para o Grammy Latino 2026, na categoria de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa, distinção que Juliana Linhares considera uma celebração do trabalho coletivo e da música independente brasileira, e também o reconhecimento da criação artística do Nordeste brasileiro, de onde é originária.
Lisboa, 20 out 2026 (Lusa) – A cantora e atriz brasileira Juliana Linhares apresenta em Portugal o álbum “Até Cansar o Cansaço”, um trabalho de reflexão artística e política sobre o descanso, a consciência e a capacidade de imaginar futuros possíveis.
Em entrevista à Lusa, a artista explicou que o disco nasceu de um período de trabalho intenso, marcado por viagens e desgaste emocional, e da vontade de encontrar uma forma de não deixar que o cansaço dominasse a sua vida.
A oportunidade de uma residência artística com a Companhia Brasileira de Teatro, durante a qual contactou com as investigações do neurocientista Sidarta Ribeiro sobre o cérebro, o sono e os sonhos, em diálogo com conhecimentos da ancestralidade indígena.
Foi nesse contexto que encontrou uma das ideias centrais do álbum: “a flecha para o cansaço é o sonho”, afirmou.
Para Juliana Linhares, a relação entre sono e sonho tem também uma dimensão política, ligada às condições de trabalho e à desigualdade no acesso ao descanso.
A artista questiona quem tem possibilidade de dormir e recuperar, quem trabalha sem conseguir descansar e que condições permitem às famílias estarem juntas. O descanso, defende, não é apenas uma necessidade individual, mas também uma questão social.
“Quanto mais a gente dominar essa tecnologia do sonho a nosso favor, mais a gente consegue abrir possibilidades novas”, afirmou, associando o sonho à capacidade de imaginar e construir alternativas em comunidade.
A reflexão atravessa um disco que procura provocar uma resposta emocional no público, mais do que transmitir uma mensagem fechada.
“O desejo é que você seja fisgado pelo sensível e saia dali mexido”, explicou, descrevendo a vontade de que as canções despertem no público vontade de rir, chorar, viver ou transformar alguma coisa.
“É uma indicação que celebra e simboliza muita coisa importante nesse momento da minha carreira”, disse, acrescentando que a distinção constitui, por si só, uma celebração, independentemente do resultado final, que a deixa “emocionada” e “feliz”.
Para os concertos em formato mais intimista, em Portugal, a artista explora igualmente a relação entre corpo, interpretação e público, procurando ampliar o olhar sobre o mundo.
“Sempre espero levar daqui as minhas urgências, os meus desejos e voltar com coisas também maiores, dentro do meu coração, dentro da minha cabeça, a partir do encontro com as pessoas”, afirmou.
Em Portugal, Juliana Linhares procura também aprofundar o entendimento da brasilidade e das ancestralidades, consciente da presença de uma comunidade brasileira numerosa, que tornam esses concertos particularmente significativos.
“Eu gosto também de poder levar carinho, alento”, afirmou, associando a digressão ao desejo de criar um espaço de encontro num momento que considera delicado para o Brasil: “Poder dar as mãos e entender que a gente está junto nesse momento, se ajudando”.
Tanto assim que o concerto de Lisboa, marcado inicialmente para as 21:00 do próximo domingo, foi antecipado para as 19:00, com o propósito de acompanhar os resultados da segunda volta das eleições brasileiras, porque nas suas palavras “ser artista é também um ato político”.
Juliana Linhares apresenta “Até Cansar o Cansaço” em quatro concertos em Portugal, entre 21 e 31 de outubro, numa digressão em formato duo, acompanhada pelo guitarrista Elísio Freitas, produtor musical do álbum.
A digressão começa quarta-feira, dia 21, no espaço Concertos L, na Ponta do Sol, Madeira, seguindo-se o Armazém 8, em Évora, no sábado, a Casa Capitão, em Lisboa, no domingo, e o Cineteatro Garrett, na Póvoa de Varzim, dia 31.
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