Cerimónia de assinatura da Decisão Final de Investimento da segunda plataforma de gás na bacia do Rovuma, Coral Norte, por 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros), em Maputo, Moçambique, 02 de outubro de 2025. A decisão foi assinada pelos parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, nomeadamente a petrolífera italiana Eni, Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), CNPC, Kogas e XRG. LUÍSA NHANTUMBO/LUSA
Maputo, 21 out 2026 (Lusa) – A petrolífera italiana Eni lançou hoje a concurso a construção de uma central termoelétrica a gás de 75 megawatts (MW) em Temane, sul de Moçambique, investimento de 130 milhões de dólares (110 milhões de euros) anunciado em 2025 pelo Presidente moçambicano.
Segundo um edital da Eni Rovuma Basin B.V. Moçambique, as empresas interessadas têm até 31 de outubro para apresentar candidaturas para os serviços de engenharia, aprovisionamento e construção (EPC) da futura infraestrutura, a localizar-se no distrito de Inhassoro, província de Inhambane.
Prevê, segundo o edital consultado pela Lusa, a construção, fornecimento de equipamentos, instalação e comissionamento de uma central termoelétrica a gás de 75 MW, equipada com motores alternativos de combustão interna, incluindo todos os sistemas auxiliares necessários à operação da unidade.
A empresa procura grupos com experiência comprovada em contratos industriais de Engenharia, Aprovisionamento, Construção, Instalação e Comissionamento (EPIC), exigindo a demonstração de pelo menos um projeto de produção de energia elétrica de dimensão e complexidade semelhantes executado nos últimos sete anos em condições comparáveis às de Moçambique.
O lançamento do concurso representa o avanço de um projeto anunciado em outubro de 2025 pelo Presidente moçambicano, Daniel Chapo, durante a cerimónia de assinatura da Decisão Final de Investimento (FID) da plataforma flutuante de gás natural liquefeito Coral Norte.
Na ocasião, Chapo afirmou que a Eni assumira o compromisso de financiar a construção de uma central termoelétrica de 75 MW em Temane, avaliada em cerca de 130 milhões de dólares, cuja implementação seria feita em articulação com a estatal Electricidade de Moçambique (EDM).
“Esta central será construída em Temane, na província de Inhambane, onde estamos neste momento a ter a obra da central de 450 MW. Vamos ter mais 75 MW através da Eni. Este empreendimento reforçará a capacidade nacional de geração de energia, contribuindo para a segurança energética e para a dinamização da nossa economia”, declarou então o chefe de Estado.
A localização escolhida coincide com a área onde está a ser construída a Central Térmica de Temane (CTT), infraestrutura de 450 MW alimentada pelos campos de gás natural de Temane e Pande, considerada uma das principais apostas de Moçambique para reforçar a produção elétrica nacional e aumentar as exportações regionais de energia.
O anúncio da central dos 75 MW integrou um conjunto mais alargado de compromissos assumidos pela Eni no âmbito da expansão dos investimentos energéticos no país, paralelamente ao desenvolvimento do projeto Coral Norte.
Os parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, operada pela petrolífera italiana ao largo da província de Cabo Delgado, assinaram em outubro de 2025 a decisão final de investimento daquele projeto, avaliado em 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).
A segunda plataforma flutuante deverá duplicar a capacidade moçambicana de produção de gás natural liquefeito, elevando-a para cerca de sete milhões de toneladas anuais a partir de 2028, mas a Eni já confirmou anteriormente à Lusa estar a estudar a possibilidade de avançar com uma terceira unidade.
O projeto Coral Norte junta-se ao Coral Sul FLNG, também operado pela Eni, que entrou em produção em 2022 e constituiu a primeira exportação de gás natural liquefeito da história de Moçambique.
Na cerimónia da FID, Daniel Chapo indicou que os projetos Coral Sul e Coral Norte deverão gerar receitas acumuladas para o Estado superiores a 39 mil milhões de dólares (33,6 mil milhões de euros) ao longo de cerca de três décadas de operação e contribuir para a criação de até 100 mil empregos diretos e indiretos.
O chefe de Estado afirmou igualmente que o investimento na central de Temane, juntamente com outros projetos da Eni, deverá ajudar a diversificar a matriz energética nacional, aumentar o acesso à eletricidade e criar novas oportunidades económicas para as comunidades moçambicanas.
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