Díli, 11 out 2022 (Lusa) – Investigar e valorizar a música, incluindo formação especializada, em Timor-Leste e em três países africanos de língua portuguesa é o objetivo de um novo programa apresentado hoje, em Díli.

O projeto Marimba é uma iniciativa da produtora portuguesa Soundsgood, com financiamento do Programa PROCULTURA, da UE e do Camões-Instituto da Cooperação e da Língua, e que envolve parceiros em Timor-Leste, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

O PROCULTURA tem como objetivo geral a promoção do emprego e atividades geradoras de rendimento no setor cultural dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste.

Em Timor-Leste, onde conta como parceiro o Centro Audiovisual Max Stahl em Timor-Leste (CAMSTL) – o arquivo legado pelo jornalista que morreu há cerca de um ano – o projeto Marimba aposta na formação para dotar o setor musical do país de mais capacidade.

Trata-se de abranger “todos os elos da cadeia de valor do setor da música”, da investigação à internacionalização, nos quatro países abrangidos, de acordo com uma nota dos produtores.

Tem como objetivo valorizar a produção musical nos quatro países, “através da sua pesquisa, digitalização, promoção e distribuição internacional de produtos fonográficos e artistas associados”.

Ao mesmo tempo, quer contribuir “para o resgate da identidade cultural dos países e regiões envolvidos e a sua divulgação, contribuindo assim para a inclusão socioeconómica das mulheres e para a sustentabilidade dos agentes do setor”.

Dados do projeto foram apresentados numa conferência de imprensa no CAMSTL, conduzida pelo diretor executivo do centro, Eddy Pinto, e pelo produtor Claudio Savaget, que destacaram a importância da formação, a começar no início de novembro.

A designação do projeto inspira-se na marimba, instrumento inspirado nos xilofones africanos ainda hoje usados e com origem nos gamelões indonésios do século I, cujos ritmos influenciaram também a música de Timor-Leste.

“É um projeto que pretende ajudar a valorizar a música que se produz em Timor-Leste, reconhecendo o papel da música com um fator muito importante para as sociedades”, afirmou Eddy Pinto.

Claudio Savaget disse que a formação abrange aspetos como direitos de autor, comercialização da música e posicionamento.

A formação inclui módulos para “equipar os formandos com ferramentas que lhes permitam não apenas registar, digitalizar e arquivar esse património, mas também preservá-lo e divulgá-lo a gerações futuras”, indicou.

Parte da formação passa por “dotar os formandos de conhecimentos técnicos ao nível da criação musical e expressão poética, bem como oferecer-lhes relevante informação sobre o funcionamento da indústria musical de forma a potenciar a criação de novos empregos”, acrescentou.

Em termos gerais e nos quatro países, o projeto inclui uma plataforma digital, a Marimba Academy (para formação e capacitação), um guia de músicos dos PALOP-TL e um programa de investigação, estudo e classificação do património musical (Marimba Heritage).

Fazem ainda parte do programa um sistema de marcação e distribuição internacional de música dos PALOP-TL, uma nova editora de música, com sede em Moçambique (Marimba Sounds) e um programa de estímulo à criação de novos negócios criativos no feminino.

Haverá ainda um concurso de jovens criadores (Marimba Challenges), um evento profissional de encontro e comercialização, atividades de promoção e a criação da Associação Marimba para garantir a sustentabilidade pós-projeto.

ASP // EJ – Lusa/Fim

Foto: LUSA / EPA/LEGNAN KOULA

VER:

Projeto Marimba quer valorizar música de Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste

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