4 March 2021
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, fala aos jornalsitas no final da XIV Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP, na sede da CPLP, em Lisboa, 17 de março de 2016. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Portugal considera contraproducente pressionar Brasil sobre CPLP

Lisboa, 01 jun (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, afastou hoje quaisquer “consequências negativas” para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) da atual situação política no Brasil e considerou que seria “injusto e contraproducente” pressionar o país.

O Brasil “tem condições políticas delicadas; para todos os efeitos, tem uma Presidente que está suspensa de funções, tem um Governo que exerce interinamente, tem um novo ministro das Relações Externas”, afirmou hoje o governante português, respondendo ao deputado socialista Paulo Pisco sobre eventuais consequências para a CPLP, organização cuja presidência Brasília deve assumir este ano.

“Não vejo nenhuma consequência negativa. Seria injusto e contraproducente fazer alguma espécie de pressão sobre o Brasil”, considerou Santos Silva, durante uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

“Daremos ao Brasil o tempo necessário para que possa assumir as responsabilidades que lhe cabem como futuro presidente da CPLP”, garantiu.

O ministro disse não ver “nenhuma modificação” na organização lusófona que, salientou, “tem este ano uma oportunidade, com a nova visão estratégica [que deverá ser aprovada na cimeira], a nova presidência e o novo secretariado-executivo, de incrementar o seu nível de atuação”.

Cabe ao Brasil organizar a próxima conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que tradicionalmente se realizam em julho, ocasião em que os Estados-membros votarão a nova visão estratégica e Brasília assumirá a presidência e o secretariado-executivo passará para São Tomé e Príncipe. No entanto, o Brasil ainda não indicou qualquer data para o encontro e o secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy, já admitiu que não se realize em julho.

Santos Silva disse que Portugal compreende que o Brasil fará as propostas “que lhe compete fazer, quando entender ter condições” para tal.

“Aguardamos, sem nenhuma pressão, a marcação ainda este ano da cimeira bilateral Portugal-Brasil, assim como da cimeira da CPLP”, referiu.

Sobre a relação bilateral, o Governo português coopera “com o Presidente interino e com o Governo do Brasil exatamente como com todos os outros presidentes e governos da democracia brasileira”, garantiu Santos Silva.

JH // JMR – Lusa

Também poderá gostar

Sem comentários

ARTIGOS POPULARES