Cerca de vinte atores e atrizes guineenses iniciam hoje em Bissau uma oficina de teatro, durante a qual dois deles serão escolhidos para integrarem o elenco de uma produção que terá artistas de cinco países lusófonos, informou a organização.

A oficina decorre até 04 de maio em Bissau e será dirigida pelo ator, autor, guionista e encenador galego Cándido Pazó, acrescentou a organização, a cargo da associação Cena Lusófona, sediada em Coimbra, e a AD – Ação para o Desenvolvimento, de Bissau.

Esta ação de formação faz parte de um projeto internacional da Cena Lusófona, intitulado P-STAGE e que consiste na produção de uma peça “As Orações de Mansata”, de Abdulai Sila, com atores portugueses, brasileiros, angolanos, guineenses e são-tomenses.

Como explicou à Lusa Pedro Rodrigues, da Cena Lusófona, três atores angolanos já foram escolhidos em novembro, durante uma oficina idêntica à que agora começa em Bissau, enquanto os dois são-tomenses serão escolhidos em julho, nas mesmas condições.

Já os atores brasileiros e portugueses serão escolhidos de entre o elenco das companhias parceiras do projeto: o Teatro Vila Velha (Salvador, Brasil) e as companhias de teatro profissional A Escola da Noite e Companhia de Teatro de Braga (Portugal), acrescentou.

Após as oficinas de teatro, que constituem a primeira fase do projeto P-STAGE, a organização pretende começar a preparar a coprodução internacional da peça “As Orações de Mansata”, que deverá estrear em outubro em Portugal e ser depois apresentado nos vários países envolvidos, disse ainda Pedro Rodrigues.

O responsável afirmou que a Cena Lusófona está “a desenvolver contactos para que o espetáculo final possa ser apresentado” em outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, justificando a não participação de Moçambique, Cabo Verde e Timor-Leste com questões de prazos e orçamentos na fase em que o projeto foi candidato a fundos comunitários.

No total, entre 90 e 100 atores vão passar pelas oficinas nos três países, diretamente formados, mas quando o espetáculo estiver concluído e for apresentado nos vários países, o elenco poderá realizar outros cursos de curta duração para os atores e comunidades artísticas dessas cidades.

“Julgo que atingiremos as várias centenas de formandos no total”, disse Pedro Rodrigues.

Quanto ao texto escolhido para a peça final, o responsável disse tratar-se de “uma das primeiras, senão a primeira, peça de teatro da dramaturgia da Guiné-Bissau” e resulta de um convite da Cena Lusófona ao escritor Abdulai Sila.

“É uma livre adaptação do Macbeth, de Shakespeare, à realidade africana e, em concreto, à realidade política da Guiné-Bissau. Tem uma componente muito forte de retrato da realidade política dos últimos anos na Guiné-Bissau”, disse a mesma fonte.

Liderado pela Cena Lusófona, o projeto P-STAGE é uma parceria com a companhia de teatro Elinga (Angola) e com a ONG AD-Ação para o Desenvolvimento (Guiné-Bissau), tendo ainda como associados o Centro de Intercâmbio Teatral de São Tomé (São Tomé e Príncipe), o Teatro Vila Velha (Salvador, Brasil), as companhias de teatro profissional A Escola da Noite e Companhia de Teatro de Braga (Portugal) e o Centro Dramático Galego (Espanha).

É financiado em 500 mil euros pela União Europeia e pelo Secretariado dos Países ACP no âmbito do Programa ACP Cultures.

A Cena Lusófona – Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral – foi criada em 1995, em Coimbra, com o objetivo de dinamizar a comunicação teatral entre os países de língua oficial portuguesa.

FPA // VM – Lusa/Fim

Foto: LUSA. Actors Volker Lechtenbrink (R), 12 June 2012. EPA/UWE ZUCCHI

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