Cantora cabo-verdiana lança álbum de 13 mornas para resgatar composições tradicionais

Praia, 15 abr 2026 (Lusa) – A cantora cabo-verdiana Cremilda Medina lançou “Lágrima”, um álbum composto por 13 mornas (estilo musical de Cabo Verde), marcado pela “tristeza, saudade, amor e resgate de composições tradicionais”, contou, em entrevista à Lusa.

“Este álbum é muito sentimental e carrega muita emoção, daí o nome Lágrima. Queria que as pessoas viajassem comigo pelo sentimento que tanto carateriza a morna e o povo de Cabo Verde. São músicas que falam de amor, despedida, nostalgia e saudade”, afirmou à Lusa.

O trabalho, lançado na segunda-feira, reúne colaborações com as cantoras cabo-verdianas Nancy Vieira, Ana Firmino e Maria Alice, vozes que, segundo Cremilda Medina, “ao longo de muitas décadas cantaram a tristeza, a saudade, o amor e a alegria por todo o mundo”.

Este terceiro álbum da artista nasceu no âmbito de uma candidatura a um edital do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, inicialmente pensado para a gravação de dois temas.

No entanto, o projeto acabou por ser ampliado.

“Achei que seria insuficiente e acrescentei mais 11, completando um total de 13. Em Lágrima, explorei o meu lado mais profundo, mais sentimental”, explicou.

O trabalho resulta de um processo de pesquisa iniciado em 2022, envolvendo letras, compositores e diferentes interpretações das mornas ao longo do tempo.

Entre os compositores presentes no álbum destacam-se nomes como B. Léza, Manuel de Novas, Constantino Cardoso, João Freitas, Fausta d’Dada, Frank Amador e Morgadinho, entre outros “autores menos conhecidos ou pouco referidos”.

A artista sublinhou a importância de revisitar temas com várias décadas de história, referindo, por exemplo, composições com cerca de 90 anos, como “Miss Perfumado”, popularizada na interpretação de Cesária Évora.

“Queria reavivar na memória coletiva do povo cabo-verdiano essas composições que há algum tempo não são reeditadas”, afirmou.

A cantora defendeu que a morna, Património Cultural Imaterial da Humanidade, deve ser preservada e transmitida entre gerações, alertando para o risco de esquecimento de géneros tradicionais como também a coladeira.

“Espero que não se torne somente um produto turístico, porque a identidade do povo jamais pode ser interpretada como um produto turístico”, disse, defendendo o investimento na formação, em intercâmbios entre gerações e na presença da música tradicional nos meios de comunicação e nas escolas.

“Temos de continuar a investir nesta nova geração de compositores, intérpretes e músicos para preservar a nossa identidade. Não podemos deixar que a morna e a coladeira, entre outros estilos de Cabo Verde, caiam no esquecimento, porque deixam de ser tocados e ouvidos”, acrescentou.

Nascida no Mindelo, na ilha de São Vicente, Cremilda Medina é uma das intérpretes mais reconhecidas da música tradicional cabo-verdiana da nova geração, frequentemente apelidada de “voz da morna”, e construiu uma carreira centrada na preservação e valorização de géneros tradicionais.

Começou a cantar aos 9 anos e tem como referências nomes como Cesária Évora, Bana e Paulino Vieira, privilegiando uma sonoridade acústica e autêntica.

RS // VM – Lusa/Fim

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