Lisboa, 21 out 2022 (Lusa) – As divas e mestres da música de Cabo Verde sobem no sábado ao palco em Carnide, Lisboa, através de mulheres e homens que prometem contar e cantar os 500 anos da história destes “dez grãozinho di terra”.

“Tradisson d´nôs ilhas” é o nome do espetáculo organizado pelo Voz Terra, um grupo coral especialmente vocacionado para a interpretação da música tradicional de Cabo Verde, e que sobe ao palco do Centro Cultural de Carnide.

A morna, a coladeira, o funaná, o batuque, a guitarra clássica e portuguesa e o violão cabo-verdiano serão o pano de fundo de uma história que começa sempre que um cabo-verdiano deixa a sua terra para fugir à pobreza.

“O espetáculo começa com o cabo-verdiano a deixar Cabo Verde por causa das dificuldades e todo o seu percurso, o sentimento de saudade, os amores que deixa na sua terra e a ansiedade de voltar”, disse à agência Lusa Heloisa Monteiro, diretora do Voz Terra, guitarrista e filha do compositor Jotamonte, autor da famosa morna “Dez Grãzinho Di Terra”.

E acrescenta: ”É o projeto de uma vida”, encarando este espetáculo como o culminar de muitas outras iniciativas que desenvolveu com os seus alunos, enquanto professora, no sentido da divulgação da música cabo-verdiana.

Um trabalho que iniciou antes de Cesária Évora atingir o estrelato e mostrar a morna e Cabo Verde ao mundo. Hoje, Heloisa Monteiro considera que a música cabo-verdiana é bastante conhecida, mas os compositores das músicas que andam na boca de tanta gente nem por isso.

“Toda a gente conhece a “Sodade”, a música mais famosa da Cesária. Mas pouca gente sabe quem a compôs (Armando Severino Soares)”, disse, esperando contribuir para um maior entendimento dos muitos que enriqueceram a música de Cabo Verde.

A viagem que será contada e cantada no sábado inclui ainda o batuque e o funaná, proibidos durante o Estado Novo, e uma homenagem à mulher, na forma da morna.

“A morna é dedicada à mulher e vamos contar com uma interpretação de Luísa Amaro, companheira de Carlos Paredes, que interpreta o tema que B.Leza escreveu para a sua mulher: Luísa”.

Cesária Évora, Titina e Celina são as divas homenageadas neste espetáculo, que também tem espaço para uma homenagem aos grandes compositores.

E para dar voz e música a esta história, o espetáculo apresenta vários convidados especiais, como Armando Tito, Maria Alice, Zenaida Chantre, Sofia Carvalho, Carla Correia e Charlie Mourão.

A música de intervenção também tem destaque nesta obra que termina com um apelo para que o batuque seja classificado como Património Imaterial Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), como aconteceu com a morna, em 2019.

Heloisa Monteiro tem esperança de que o concerto “Tradisson de nôs ilha” ganhe asas e corra muitas outras salas de espetáculo e sonha já com um projeto que acalenta há décadas: Uma viagem poética pelas ilhas de Cabo Verde, a qual, reconhece, precisa de bem mais do que hora e meia.

SMM // VM – Lusa/Fim

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