Macau, China, 01 fev 2022 (Lusa) – As casas de Portugal e do Brasil em Macau voltam a participar, na quinta-feira, na parada do ano novo lunar, suspensa nos dois últimos anos devido à pandemia da covid-19.

A Casa de Portugal em Macau (CPM) vai usar na parada, na qual participa desde a primeira edição, “as cores dourado e vermelho como representação do poder” do Tigre, animal do ano que agora começa, cruzada “com as diferentes áreas artísticas praticadas na Escola de Artes e Ofícios” da CPM, disse à Lusa a diretora da escola, Maria Elisa da Rocha Vilaça.

Fotografia, cinema, pintura, cerâmica, azulejos, fantoches, joalharia, música e costura, habitualmente desenvolvidas nas atividades da escola, serão representados de forma criativa, por 22 elementos, através da reciclagem de materiais, disse.

“Todas estas artes serão trazidas à vida pela dança dinâmica de um grupo de jovens estudantes da Escola Portuguesa de Macau, coordenada por um grupo de seis membros do pessoal da CPM”, acrescentou.

Por seu lado, a vice-presidente da Associação Casa do Brasil em Macau (ACBM), Carla Fellini, disse à Lusa que a parada, na qual participa há sete anos, serve para mostrar um pouco da cultura brasileira e do folclore adaptados ao tema de cada ano.

“Este ano é o Tigre o anfitrião, introduzido no ‘Arraial dos Tigres’, o nosso tema da parada. No Brasil seria a Folia de Reis”, acrescentou a responsável, sublinhando tratar-se de uma “mistura das duas culturas, em ritmo de alegria e festa com 36 participantes”.

Elisa Vilaça considerou que “a redução de verbas por parte do Governo de Macau tem levado a que seja necessária uma gestão financeira difícil, atendendo ao aumento de todos os materiais adquiridos, ao aumento das rendas das instalações e claro à impossibilidade de contração de mais técnicos especializados”.

A responsável afirmou ter sido “uma gestão difícil, mas até agora conseguida devido à dedicação e amor naquilo que fazem por parte dos profissionais que trabalham na CPM”.

Sobre as medidas de prevenção e controlo da pandemia em Macau, Elisa Vilaça sublinhou que a parada tem “regras bastante precisas que foram implementadas” e respeitadas “na íntegra” para que seja possível continuar a desenvolver um trabalho em prol da cultura “pilar importantíssimo para o desenvolvimento de Macau e da sua comunidade”.

Já a vice-presidente da ACBM disse que o Governo de Macau “sempre deu apoio” à associação, sem qualquer alteração.

“A nossa associação não tem experimentado quaisquer dificuldades a este respeito, permanecemos os mesmos que nos outros anos”, afirmou Carla Fellini.

De acordo com a Direção dos Serviços de Turismo de Macau, o orçamento geral para as celebrações do ano novo lunar do Tigre é de 30 milhões de patacas (3,3 milhões de euros), cabendo à parada 25,5 milhões de patacas (2,8 milhões de euros) e ao espetáculo de fogo de artifício 3,6 milhões de patacas (398 mil euros), ambos cancelados em 2020 e no ano passado.

A parada, onde participam 14 carros alegórico e 22 grupos chineses e locais, decorre na quinta-feira e no dia 12 e passa por diferentes zonas da cidade, enquanto o espetáculo de fogo de artifício acontece nas noites de 03, 07 e 15 de fevereiro, esta última a coincidir com o tradicional Festival das Lanternas.

Esta manhã, o dragão gigante dourado, com 238 metros de comprimento, passou por vários pontos da cidade, num desfile que assinalou o primeiro dia do ano novo lunar, de acordo com o calendário chinês.

Em todos os eventos, participantes e público tiveram de usar máscara, medir a temperatura e apresentar o código de saúde de Macau e o código de local, que regista o percurso.

JYW // PJA – Lusa/Fim

Início das celebrações do novo Ano Chinês, Ano do Tigre, com os tradicionais desfiles de rua em Macau, China, 01 de fevereiro de 2022. CARMO CORREIA/LUSA

Partilhar