25 February 2021
Ana Paula Laborinho, presidente do Camões, IP. Lisboa, 11 de janeiro de 2010. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Presidente do Camões diz que cooperação está mais voltada para resultados que para verbas envolvidas

Lisboa, 24 mai (Lusa) – A presidente do instituto Camões, Ana Paula Laborinho, reconheceu hoje que a ajuda pública ao desenvolvimento portuguesa está “bastante abaixo” dos objetivos fixados a nível internacional, mas defendeu que hoje interessam mais os resultados que os montantes financeiros envolvidos.

“A Ajuda Pública ao Desenvolvimento é bastante modesta neste momento. Internacionalmente sabe-se que não é possível, mas os objetivos da OCDE e da União Europeia são 0, 7% do PIB, estamos em 0, 16%, bastante abaixo”, disse hoje a responsável do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, durante o V Encontro “Triângulo Estratégico América Latina-Europa-África”, que decorre em Lisboa.

Ana Paula Laborinho destacou que “a discussão é cada vez mais em torno dos resultados e não tanto dos montantes financeiros”.

“Qual é a transformação que provocamos com a nossa intervenção? E os resultados são o mais importante. Temos de começar a trabalhar em programas assentes em resultados e isso também é uma nova forma de trabalho”, salientou, referindo que “muitas vezes há projetos pequenos que têm um efeito de transformação muito grande”.

A presidente do Camões disse que o conceito estratégico da cooperação portuguesa, aprovado em 2014 e em vigor até 2020, prevê “esta triangulação” entre América Latina, Europa e África, num trabalho que “tem uma maior complexidade, mas tem também resultados importantes”.

Laborinho assinalou a importância de os países de língua portuguesa e a América Latina terem “duas línguas que têm uma proximidade muito grande, que permitem, de uma forma simples”, uma compreensão sem tradutores, o que é “uma vantagem imensa”.

“Hoje em dia, em que as línguas também são formas de afirmação do poder, cada vez há mais estudos sobre o potencial destas duas línguas e o facto de poderem comunicar” entre si, referiu.

No mesmo sentido, o secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Vítor Ramalho defendeu, na sua intervenção, a importância do português e do espanhol nas relações entre a Europa, África e América Latina.

“Somos uma força incrível, das línguas mais faladas do mundo. Não perceber isto é ir contra a história, é não ver que este mundo global exige um reforço nosso”, disse.

Na sessão dedicada à cooperação, o representante da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento, Nazim Ahmad, referiu que a organização emprega mais de 80 mil pessoas e está presente em 35 países, mas não na América Latina, uma vez que apenas atua nos países mediante convite.

Sobre a sede mundial da Rede Aga Khan, que irá instalar-se em Lisboa, na sequência de um protocolo com o Governo português, Nazim Ahmad referiu que “há um envolvimento muito grande” e que o trabalho será desenvolvido ao longo dos próximos cinco anos.

“Não temos sede há 750 anos. Pela primeira vez, vamos ter a primeira sede e será em Portugal. É um trabalho muito, muito importante”, salientou.

A Rede, um conjunto de agências de desenvolvimento privado que atuam na área da saúde, educação, cultura, desenvolvimento rural e empreendedorismo, tem um orçamento anual de 625 milhões de dólares para atividades sociais, enquanto as empresas lucrativas geram um rendimento de 3, 5 mil milhões de dólares.

O diretor do Centro Norte-Sul, José Frederico Ludovice, defendeu a necessidade de, neste triângulo América Latina, Europa e África, melhorar o conhecimento mútuo.

“É necessária uma aproximação, para além do nível económico e político, também social e humano. Há uma interdependência muito grande do que se passa em África, que também tem muito a ver com o que se passa na Europa”, sustentou.

Para o responsável deste órgão do Conselho da Europa, com sede em Lisboa, “há muito a fazer para que este triângulo seja equilibrado e mais estratégico”.

Ludovice salientou que “para que este triângulo estratégico tenha sucesso, é preciso equilíbrio num outro tipo de triângulo, com as vertentes democracia, segurança e desenvolvimento”.

“O equilíbrio destas três vertentes é fundamental para que haja um progresso sustentado e sem o qual esta cooperação tem pés de barro”, sustentou.

O V Encontro, que decorre entre segunda-feira e hoje, é promovido pelo Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina (IPDAL), Secretaria Geral Ibero-Americana, Caixa Geral de Depósitos e Abreu Advogados.

JH // EL – Lusa/fim

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