Díli, 05 mai 2022 (Lusa) – O Presidente timorense destacou hoje o crescimento, nos últimos 20 anos, no país, da língua portuguesa, que considerou uma mais-valia para as “atuais e próximas” gerações, pedindo mais esforços para a sua promoção.

“No contexto da globalização em que vivemos, devemos considerar a língua portuguesa como uma mais-valia para as atuais e as próximas gerações. Temos a obrigação, portanto, de promovê-la e preservá-la como um dos garantes da manutenção da nossa identidade cultural e uma voz corajosa que continua a assumir o seu papel diferenciador no contexto asiático e no mundo”, disse Francisco Guterres Lú-Olo, numa mensagem por ocasião do Dia da Língua Portuguesa.

O chefe de Estado timorense afirmou que o censos de 2015 notava que 30,8% da população do país falava português, um contraste com apenas 5% de falantes em 2002, mas admitiu que muito há ainda por fazer, pedindo por isso uma reflexão nacional.

“Com toda a frontalidade, devemos reconhecer que os resultados estão muito aquém do desejável. Hoje deve ser um dia de reflexão, em especial para os governantes do nosso país, de reflexão sobre o que tem sido feito e o que falta fazer. Por um lado, ‘casar’ o tétum com o português, consagrando as duas línguas como instrumentos de expressão do nosso povo e da sua identidade”, afirmou.

“Vivemos numa conjuntura recheada de grandes desafios e de incerteza crescente. Num país como nosso, de população reduzida e de pequena superfície, a utilização de instrumentos de reforço da nossa singularidade é um imperativo inadiável”, sublinhou.

Na mensagem em que celebrou “a língua que une todos os povos da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], uma comunidade com mais de 280 milhões de falantes”, Lú-Olo lembrou outro importante aniversário que se cumpre hoje em Timor-Leste.

Em concreto o 23.º aniversário da assinatura por Portugal e pela Indonésia, sob os auspícios da ONU, do Acordo de 05 de Maio, que permitiu a realização do referendo de 30 de agosto de 1999 em que os timorenses escolheram a independência.

Lú-Olo saudou a decisão da UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] de declarar 05 de maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa, “língua global e com capacidade para absorver e gerar realidades respeitantes às ciências e às tecnologias modernas”.

“Tendo em conta a nossa história e o nosso passado longíquo, a Assembleia Constituinte tomou a decisão de consagrar o português como língua ofícial da República. Na nossa Constituição, a República afirma-se como país bilingue, isto é, possui duas línguas oficiais: o tétum falado por mais de 90% da população e o português que, ainda minoritário, tende a crescer”.

O Presidente timorense disse que desde a restauração da independência, cujo 20.º aniversário se cumpre a 20 de maio, o uso do português em Timor-Leste “tem sido uma lenta reconquista”, louvando o mérito dos professores que a têm ensinado.

Neste âmbito, como em termos do desenvolvimento nacional, Lú-Olo destacou o “papel crucial” da educação, elemento que “vai decidir o futuro” do país, considerando essencial reforçar o capital humano.

“Na educação não há gastos, há investimentos e, apostando na qualidade, temos a certeza de um retorno garantido. Ao pensarmos na educação temos de trabalhar cada vez mais com o conceito de comunidade educativa, onde cada cidadão tem um papel a desempenhar”, disse.

Especificamente no que toca à língua portuguesa, o Presidente apontou a falta de livros em português e de bibliotecas escolares, defendendo mais investimento para dotar as escolas “de melhores condições e de materiais didáticos que promovam eficazmente o ensino da língua portuguesa”.

“Estamos gratos às e aos agentes de ensino, mas devemos ser honestos e reconhecer que temos de fazer um grande esforço em melhorar substancialmente a qualidade da nossa educação”, salientou Lú-Olo, que considerou um “imperativo urgente” a criação de uma Escola Superior da Educação.

Paralelamente, indicou “indispensável” o apoio aos meios da comunicação social, “de modo que possam criar conteúdos linguísticos e estar mais próximos da população”, especialmente nas zonas remotas onde os meios de contacto são ainda mais escassos.

“Cabe ao nosso país a tarefa de refletir como promover a difusão da língua portuguesa e a sua inserção no sistema mundial. No plano interno saibamos ser criadores da aliança entre o tétum e o português e, no plano regional, saibamos avançar com o pilar da promoção e difusão da língua portuguesa”, defendeu.

ASP // EJ – Lusa/Fim

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