Praia, 16 nov 2022 (Lusa) – Portugal quer uma rede de escolas portuguesas “mais robusta”, sobretudo nos países africanos de língua portuguesa, prevendo a construção de estabelecimentos e polos para alargar essa cobertura, disse hoje o secretário de Estado da Educação, António Leite.

“Portugal está interessado em chegar ao fim da década com mais escolas ou com escolas com mais polos nos vários sítios onde estamos presentes”, afirmou o secretário de Estado, em declarações à Lusa, na Praia, à margem da visita à Escola Portuguesa de Cabo Verde (EPCV).

“Neste momento, a nossa primeira prioridade é com São Paulo, no Brasil, mas temos outras possibilidades, nomeadamente em Moçambique, mas também na Guiné-Bissau e em Angola. E não está fora de causa – mas não quero adiantar mais do que isso -, podermos fazer crescer a nossa presença em Cabo Verde, assim seja do interesse da República de Cabo Verde também”, acrescentou.

António Leite destacou que embora recente, a EPCV tem um “grande futuro”, colocando em cima da mesa a possibilidade de “até ter outros polos noutras ilhas de Cabo Verde”, assunto que pretende abordar com o ministro da Educação cabo-verdiano, Amadeu Cruz, durante a visita do governante português à Praia.

“A próxima [escola portuguesa] a ser tratada provavelmente será São Paulo. Mas como isto não é um comboio, a carruagem seguinte não fica à espera que avance a primeira. Nós vamos seguramente avançar em vários sítios ao mesmo tempo e, portanto, a nossa ideia é de facto até ao fim da década, se calhar até menos, ter uma rede muito mais robusta do que temos hoje, sobretudo nos países africanos de língua oficial portuguesa, mas também noutros países”, disse ainda o governante.

Tutelada pelo Ministério da Educação português e financiada pelo Orçamento do Estado de Portugal, a Escola Portuguesa de Cabo Verde iniciou a atividade no ano escolar de 2016/2017 com 22 alunos, três professores e seis funcionários.

Após três fases de alargamento, que custaram 2,3 milhões de euros, a escola é a mais procurada da Praia, contando atualmente com 960 alunos, 66 professores, 47 funcionários, uma diretora e 2 subdiretores, até ao 11.º ano de escolaridade, prevendo alargar ao 12.º ano no próximo ano letivo, segundo a direção da escola.

“Eu diria que havendo vontade, é sempre possível crescer mais. A Escola Portuguesa em Cabo Verde é um excelente exemplo de uma escola que é relativamente recente, mas que hoje é já um marco absolutamente de grande relevância no ensino em Cabo Verde, mas também seguramente no ensino português, seja em Portugal, seja em qualquer um dos países onde estamos presentes”, destacou o secretário de Estado.

“Como dizia há bocadinho, a construção física é sempre o mais fácil, é arranjar quem faça a obra. A construção da escola não é assim tão fácil e estou muitíssimo bem impressionado”, acrescentou, acompanhado na visita pela diretora do estabelecimento, Suzana Maximiano, e vários professores.

Para António Leite, a EPCV é também um exemplo do nível “absolutamente exemplar” das relações de cooperação entre os dois países também ao nível da Educação.

“Porque as duas partes têm interesses comuns e quando eu digo interesses comuns são interesses que servem as duas partes. Dois países que se respeitam, dois países que se tratam em pé de igualdade, só podem cooperar se as duas partes foram ganhadoras. Este é um projeto claramente nesse sentido, mas também a presença de muitos jovens cabo-verdianos em escolas portuguesas na República Portuguesa é um outro exemplo dessa capacidade de cooperação que temos é que, estou convencido, não só iremos manter como robustecer”, concluiu o governante.

PVJ // PJA – Lusa/Fim

É para trabalhar no setor educativo que, como ocorreu a partir de 2001, mais portugueses têm estado em Oecusse, mantendo-se hoje essa presença, ainda que em menor dimensão que no passado, Pante Macassar, Timor-Leste, 12 de maio de 2022. Progressivamente os projetos foram acabando e hoje a comunidade portuguesa é de cerca de duas dezenas de pessoas, entre eles funcionários da Região Administrativa Especial de Oe-Cusse Amben (RAEOA) e professores das duas escolas onde funciona o Centro de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE) de Oecusse. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

 

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