3 March 2021
Foto de Nelson Lourenço

Os sete pecados capitais da língua portuguesa

Foto da autoria de Nelson Lourenço
Por Christian Catão*

Os sete pecados capitais

Não são poucas as pessoas que comentem desvios ao escreverem e-mails para interlocutores desconhecidos. Alguns podem ter sido provocados pela falta de atenção ou pela rapidez demandada, mas é sempre bom reler o texto antes de publicar. E para você que não quer pagar mico, seguem os 7 erros mais encontrados em textos enviados por e-mail.

1) Emprego incorreto do infinitivo impessoal:

Boa noite, dormi ali e amanhã trabalhar cedo.

O infinitivo não deve ser flexionado quando apresentar uma ideia vaga, sem se referir a sujeito determinado.

2) Utilizar mais, advérbio de intensidade ou pronome indefinido, ao invés de mas, conjunção adversativa, e vice-versa:

Diz que me quer, mais não demonstra nada.

A palavra “mas” atua como uma conjunção coordenada adversativa, devendo ser utilizada em situações que indicam oposição, sentido contrário. Já o vocábulo “mais” se classifica como pronome indefinido ou advérbio de intensidade, opondo-se, geralmente, a “menos”.

3) Usar de mais em substituição a demais e vice-versa:

Amo você de mais.

O verbete demais se trata de um sinônimo de “excessivamente” ou simplesmente de “muito”. Com o sentido de “os outros”, “os restantes”, portanto com valor de substantivo, usa-se também a grafia “demais”. Já a locução de mais pode aparecer com o valor aproximado de “a mais”. Note-se que, nesse caso, “de mais” tem o valor de “demasiado”, “excessivo” e, portanto, tem valor de adjetivo (não de advérbio).

4) Empregar derrepente em substituição a de repente.

O verbete derrepente não existe.

5) Confundir-se no emprego de mau e mal.

Até que não fui mau na prova passada.

Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Utilize essa regrinha básica e jamais cometerá esse erro. Simples assim.

6) Utilizar mim e eu nos lugares incorretos.

Para mim fazer.

Mim não faz nada, porque jamais será sujeito.

7) Grafia incorreta de várias palavras corriqueiras.

Não há regra sem excessão.

O certo é exceção.

Outros erros crassos e, entre parênteses, a grafia correta: “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficente), “xuxu” (chuchu), “previlégio” (privilégio), “cincoenta” (cinqüenta), “zuar” (zoar), “frustado” (frustrado), “advinhar” (adivinhar), “benvindo” (bem-vindo), “ascenção” (ascensão), “pixar” (pichar), “impecilho” (empecilho), “envólucro” (invólucro).

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*CHRISTIAN CATÃO
Jornalista e professor de Língua Portuguesa com pós-graduação na área de produção e revisão de texto. Atualmente, é mestrando na FAE-UFMG e trabalha na rede particular de educação e curso preparatório para concurso público e o Enem. Dúvidas e sugestões envie para: christiansouza@hotmail.com

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