Lisboa, 11 jul 2021 (Lusa) – O presidente da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) defendeu “mais visão e mais apoio da parte política” lusófona e criticou o secretariado da organização, afundado “no marasmo da burocracia”.

Em entrevista à Lusa no âmbito dos 25 anos da CPLP, Salimo Abdula disse que a CE-CPLP continua “a ser persistente nos objetivos que possam ser de grande utilidade para o desenvolvimento económico e social da comunidade” e disse esperar “mais visão e mais apoio da parte política e apoio do secretariado da CPLP, que muitas vezes parece estar feito para ficar no marasmo da burocracia e pouca ação”.

As declarações do empresário moçambicano surgem nas vésperas da Cimeira de Luanda, que reúne os chefes de Estado e de governo da CPLP para a passagem da presidência rotativa, que Cabo Verde vai entregar a Angola este mês.

Salimo Abdula revelou que a CE-CPLP não foi convidada para participar, ainda que o quarto pilar da CPLP, o da economia e cooperação empresarial, seja uma prioridade assumida por todos.

“A CE-CPLP não recebeu nenhum convite para participar, o que acontece pela primeira vez nestas cimeiras, portanto não vai estar presente, pelo menos formalmente”, disse Salimo Abdula, acrescentando que o delegado de Angola, que é vice-presidente da confederação, estará em Luanda, mas para participar numa conferência que decorre à margem da conferência.

Salimo Abdula disse que a pandemia traz muitas limitações à movimentação das pessoas e apontou que “havia dúvidas sobre se a cimeira era virtual ou presencial, e por isso optámos por não nos movimentarmos sem algo em concreto, porque isto implica gastos e é preciso objetividade, como não recebemos nada oficial nem de Cabo Verde nem de Angola, optámos por ficar quietos, mas atentos”.

Questionado sobre se não acha estranha a falta de convite num contexto em que a economia está na linha da frente das preocupações dos governos, a braços com a recuperação económica da pandemia de covid-19, Salimo Abdula respondeu: “Não achamos estranho, o mundo está do avesso, está complicado, nós organizámos a cimeira empresarial de Malabo, mas com muito risco, foi o primeiro grande evento no contexto da pandemia, com todos os cuidados e correu bem, portanto neste caso de Angola não sou eu que tenho de responder, têm de ser os organizadores”.

Na entrevista à Lusa, o líder dos empresários lusófonos disse que os últimos anos têm sido marcados “por uma luz ao fundo do túnel para os empresários e os cidadãos”, referindo-se à prioridade dada ao quarto pilar, depois da concertação política e diplomática, a cooperação em todas as áreas e a promoção e difusão da língua portuguesa.

“Finalmente isto vai acontecer, o secretariado da CPLP e a presidência de Angola pretendem dar um foco muito mais objetivo ao pilar económico e à cooperação empresarial”, concluiu.

MBA // PJA – Lusa/Fim

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