Independências: Relação de Portugal com antigas colónias é diferente das outras – Carlos Lopes

Lisboa, 14 set 2025 (Lusa) – O economista Carlos Lopes considerou à Lusa que a relação de Portugal com as antigas colónias é diferente do relacionamento das outras antigas potências pela dimensão, relacionamento e idioma na geografia em que os PALOP estão.

Em entrevista à Lusa no âmbito da comemoração dos 50 anos das independências das antigas colónias portuguesas, que se assinala este ano, o antigo secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) considerou que o relacionamento de Portugal com Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Moçambique é mais positivo do que noutros casos europeus semelhantes.

“Há uma explicação em três registos, o primeiro é que Portugal, sendo uma economia relativamente pequena, não aparece como uma economia com intuitos imperiais e, portanto, não tem uma intervenção junto desses países no sentido de tentar ter uma influência e um domínio estratégico”, afirmou Carlos Lopes.

Além disso, continuou, noutros países “há um sentimento de abandono e de uma certa hipocrisia, e Portugal tem passado ao lado dessa visão porque é visto como uma alavanca muito importante junto da União Europeia, tem uma influência que eventualmente ajuda ao desenvolvimento e a garantir investimentos da União Europeia, é, digamos, um aliado para se poder chegar a um determinado tipo de visão e interpretação positiva por parte desses países”.

A terceira razão para o relacionamento próximo e amistoso entre Portugal e as antigas colónias, exemplificado no facto de vários chefes de Estado dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) terem comemorado os 50 anos do 25 de Abril em Lisboa, tem a ver com a cultura e o idioma português.

“A língua acaba por ser, para cada um destes países de formas diferentes, um capital que é preciso preservar junto de regiões em que normalmente estão em minoria do ponto de vista cultural e linguístico”, argumentou Carlos Lopes, referindo-se ao facto de, em cada região africana, as antigas colónias serem as únicas nações onde o português é língua oficial.

Os PALOP estão em zonas francófonas ou anglófonas e “acabam por ter uma necessidade de ter uma aliança provocada pela sua descontinuidade territorial e exercer esta solidariedade entre eles e incluem Portugal porque a sua dimensão não é de natureza a fazer medo, mas antes de agregar”.

MBA // VM – Lusa/Fim

 

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