A aprendizagem da língua portuguesa está em alta. Só no Senegal (país de língua oficial francesa) estão inscritos mais de 40.000 novos alunos de português no âmbito do Instituto Camões – revelou o cabo-verdiano Incanha Intumbo, Director Executivo do Instituto Nacional de Língua Portuguesa (IILP).

Incanha Intumbo fez a revelação no âmbito do webinar internacional promovido pela Lusa Language School (escola de português para estrangeiros sediada em Lisboa) e que reuniu também Nélia Alexandra, Directora do Centro de Avaliação de Língua para Estrangeiros da Universidade de Lisboa (CAPLE), Susana Moura, professora de português para estrangeiros, e Edith Wittkamp, alemã, ex-aluna de português e actualmente tradutora.

O português afirma-se, de facto, cada vez mais como uma das línguas globais de futuro. Em 2050 ultrapassará os 400 milhões de falantes e no final do século serão 600 ou 700 milhões de falantes de português – acrescentou aquele responsável do IILP (Instituto Camões), falando da Cidade da Praia, Cabo Verde, sede daquele organismo.

Não quer dizer que o Português do futuro seja totalmente homogéneo, coexistirão várias sintaxes, mas isso é a riqueza da língua. Desde que todos nos entendamos isso é que interessa – sublinhou ainda.

Incanha Intumbo lembrou que países tão poderosos economicamente como a Índia ou os EUA são membros observadores associados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP ), o que revela o interesse global do Português como língua cultural, técnica, científica e de negócios.

Também a professora Nélia Alexandra confirmou o interesse crescente do português no Centro de Avaliação de Língua para Estrangeiros (que examina e confere os títulos académicos para novos falantes de português) no âmbito da Universidade de Lisboa.

Há um novo paradigma, mais novos falantes de português que procuram a língua por motivos académicos, científicos e profissionais e menos por razões de cidadania ou residência, como acontecia até recentemente – revelou Nélia Alexandra, para quem o ensino do português está cada vez melhor, reflectindo-se tal nos exames.

Também para Susana Moura, professora na Lusa Language School, o ensino do Português mudou muito nos últimos anos.

Houve uma explosão a partir de 2015 – diz. Hoje em dia – continua – há uma grande variedade etária, coisa que não acontecia há 10, 15 anos. Hoje em dia coexistem alunos de português seniores com jovens de 9 anos. É muito diferente, há mais procura, mais variedade, mais exigência e qualidade.

Um dos problemas que se identificam, na opinião de Susana Moura, é a falta de manuais escolares e textos de apoio, mesmo a nível online.

O Brasil neste campo é bastante mais dinâmico – refere. A nível de apps, por exemplo, ou outras formas de apoio, o que alunos encontram online é quase tudo brasileiro, os apoios para português de Portugal são muito escassos – acrescenta.

A mesma opinião tem a tradutora de português para alemão Edith Wittkamp.

Não há livros, histórias para crianças, por exemplo, aprende-se muita gramática e vocabulário em histórias para crianças. Em livros impressos, online e em áudio, era importante sublinha, no que Susana Moura concorda.

Nélia Alexandra também secundariza: livros e textos de apoio fazem muita falta. Já começam a aparecer as edições e apoios online, mas nunca é demais, é muito importante, uma só desenvolve se for usada!

Depois deste webinar, subordinado ao título “Quem são os estrangeiros que querem aprender português?”, a Lusa Language School promoverá novo webinar sobre “As novas tecnologias e a aprendizagem da língua portuguesa”, marcado para o próximo dia 17 de Novembro, também às 17h, com oradores a anunciar em breve.

Fonte: Folha 8

close
Subscreva as nossas informações
Partilhar