NOVIDADE EDITORIAL

FERNANDO OLIVEIRA – OBRA COMPLETA EM EDIÇÃO


No dia 4 de novembro, às 18h00, tem lugar na Alfândega Régia de Vila do Conde

a apresentação dos cinco primeiros volumes da Obra Completa de Fernando Oliveira.


Mais conhecido por Fernão de Oliveira (c. 1507 – c. 1585) e por ter assinado com o primeiro nome em forma arcaizante a primeira Gramática da Linguagem Portuguesa em 1536, depois, com o seu nome em português modernizado, Fernando Oliveira, também escreveu outras obras pioneiras noutras áreas de conhecimento em Portugal: a Arte da Guerra do Mar, o relato da Viagem de Fernão de Magalhães, o Livro da Fábrica das Naus, a Ars Nautica, o Livro da Antiguidade, Nobreza, Liberdade e Imunidade do Reino de Portugal e a primeira História de Portugal.
São estas obras que agora vêm a lume, na edição da Obra Completa de Fernando Oliveira, levada a cabo com a chancela da Fundação Calouste Gulbenkian.
Editados estão já três dos oito volumes que irão compor esta coleção, entre os quais se conta o volume I, com a Gramática da Linguagem Portuguesa, agora a redescobrir com a publicação da presente Obra Completa.
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Mais sobre Fernando Oliveira:
Fernando Oliveira nascido, segundo alguns autores, em Aveiro, ou, segundo outros, em Pedrógão Grande, e segundo o próprio autor, na única obra que escreveu em latim, “gerado em Aveiro” mas nascido em Santa Comba tendo dado os “primeiros vagidos” na localidade de Gestosa.
Recebeu formação qualificada na Ordem dos Pregadores e envergou o hábito de São Domingos, no entanto o seu modo de ser irreverente levou-o a deixar os Dominicanos, exercendo, desde então, várias profissões, entre quais, preceptor de filhos da nobreza a piloto de navegação, viajando pela Europa e pelo Norte de África ao serviço de diferentes frotas navais portuguesas e estrangeiras.
Apesar de ser hoje reconhecido internacionalmente o pioneirismo científico e técnico das suas obras, especialmente da sua obra náutica, e em Portugal a sua crítica pioneira ao esclavagismo, Fernando Oliveira ficou entre nós quase desconhecido. Em boa parte, esse desconhecimento deveu-se às suas convicções e ao seu espírito crítico pouco conformes com o statu quo e a mentalidade reinante na sua época, colocando-o na margem do poder quando não contra os poderes vigentes.
Foi, com efeito, duas vezes preso e condenado pela Inquisição devido às suas posições antiesclavagistas e por causa de críticas que teceu abertamente contra determinados costumes da Igreja e da sociedade do tempo que considerava pouco conformes com o Evangelho.
Fernando Oliveira é, sem dúvida, um dos mais originais, mais avançados e mais multifacetados sábios do humanismo português.
Luís Albuquerque apelidou este humanista, caracterizando o seu carácter, o seu percurso existencial e a sua obra, como um sábio aventureiro, genial e insubmisso, cuja vida daria um enredo apaixonante para um estimulante filme de ação.
Em suma, Fernando Oliveira foi, no dealbar da modernidade e na aurora da globalização, um estudioso que fez avançar a cultura e a ciência portuguesas do período do Renascimento Português que merece ainda ser lido e conhecido no século XXI.

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