Díli, 05 mai 2022 (Lusa) – Um grupo de professores da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) apresentou hoje uma leitura encenada de “O Conto da Ilha Desconhecida”, de José Saramago, num dos vários eventos que assinala em Timor-Leste o Dia da Língua Portuguesa.

A encenação, que incluiu interpretações de músicas portuguesas e timorenses, foi preparada por professores timorenses e internacionais do FOCO.UNTL, um projeto conjunto do instituto Camões e da UNTL que tem como um dos seus pilares fundamentais a capacitação profissional dos docentes timorenses do Centro de Língua Portuguesa da universidade pública.

Paulo Faria, coordenador científico-pedagógico do Projeto FOCO.UNTL (projeto de cooperação Camões, I.P. – UNTL), explicou à Lusa que a adaptação do texto e a sua encenação envolveu os 12 professores timorenses que participam no projeto.

“Começámos a pensar a celebração do centenário do nascimento de José Saramago já no ano passado e em janeiro decidimos preparar um tributo que não fosse apenas um espetáculo dramatúrgico, marcado no tempo, mas que fosse além disso, deixando a publicação, a marca de todos os intervenientes”, disse no Centro Cultural Português, em Díli.

“Embora seja um conto, teve muitos cortes porque passar para interpretação teatral teria de ter, para não ser demasiado extenso. Além disso, o público em Timor-Leste não tem grande oferta a nível de teatro, não está habituado e teria de ser algo mais simples”, referiu.

Além da encenação, o projeto preparou ainda uma brochura com informação sobre o conto e sobre a vida e obra de José Saramago.

Intervindo na ocasião, Manuela Bairos, embaixadora de Portugal em Díli, saudou o esforço que tem sido feito em Timor-Leste para promoção da língua portuguesa em Timor-Leste, considerando o Dia da Língua portuguesa, uma jornada de “união e fraternidade que une a grande família” espalhada pelo mundo.

Em declarações à Lusa, a diploma sublinhou o facto de haver, este ano, muito mais atividades relacionadas com a comemoração de hoje, o que considerou um sinal de maior empenho nesta questão.

“Há uma crescente apropriação de várias instituições timorenses e isso deixa um bom sinal. Já não somos abordados tanto numa questão de solicitação, mas mais de afirmação, de que estamos aqui e somos a língua portuguesa”, disse.

João Soares Martins, reitor da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) disse que a língua portuguesa assume um cariz “estratégico e gerador de oportunidades” para Timor-Leste e, por isso, exige “uma política arrojada em investimento público”.

Só assim, disse, é possível ajudar a que haja um “efetivo florescimento do uso da língua portuguesa em Timor-Leste, não apenas nos ambientes de trabalho, mas nas escolas e unidade, nas ruas, nas praças, nas casas e nas cozinhas”.

Martins recordou a importância da língua portuguesa, um “idioma multicultural” para o reforço da própria identidade timorense, sendo por isso crucial que o seu ensino reconheça as “variações linguísticas e o contexto”.

Também hoje inaugurada no mesmo local, o Centro Cultural Português, da exposição “Voltar aos Passos que Foram Dados”, que assinala o centenário de José Saramago.

O evento de hoje faz parte de um conjunto de iniciativas promovidas em Timor-Leste no quadro das comemorações do Dia da Língua Portuguesa, e que envolveram a Embaixada de Portugal, vários projetos da cooperação portuguesa no país, mas também várias instituições timorenses.

Esta semana, por exemplo, o Parlamento Nacional aprovou por unanimidade um voto de congratulação pelo Dia da Língua Portuguesa, promovendo ainda um concurso online sobre a língua e as culturas em português.

O Parlamento promove ainda esta semana um debate subordinado ao tema “20 anos depois, em que língua falamos?” e o seminário “O Mundo em Português”.

As comemorações arrancaram na segunda-feira com a apresentação de um novo estudo sobre a situação do setor dos media e as necessidades formativas dos jornalistas timorenses.

Debates, filmes, séries e atividades para crianças fazem igualmente parte da agenda que decorre até sábado e que termina com a Festa da Língua Portuguesa, na Fundação Oriente.

ASP // VM – Lusa/Fim

Partilhar