Paris, 07 jul 2021 (Lusa) – Cabo Verde vai promover na quinta-feira um jantar que juntará personalidades da lusofonia e francofonia no Senado, em Paris, para criar uma “janela de oportunidades” entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a França.

“É uma janela de oportunidades, com pessoas de boa vontade, que permite que aconteça este evento. Pessoas que deixam de lado a prudência excessiva e confiamos uns nos outros numa expressão de boa vontade”, explicou Hércules Cruz, embaixador de Cabo Verde em França, em declarações à Lusa.

O jantar-debate “Luso-francophonie à Table” vai reunir à mesa no Palácio do Luxemburgo, onde se situa o Senado e um lugar emblemático para a democracia francesa, cerca de 60 personalidades da lusofonia e da francofonia em Paris.

“Seja a francofonia e lusofonia, são organizações de Estados, mas o objetivo é fazer uniões de povos e há uma reclamação na lusofonia que não tem havido essa apropriação. E esta é uma contribuição para dizer que a sociedade civil pode mexer com estas águas”, explicou o diplomata.

Pertencente às duas organizações, Cabe Verde “está à vontade” para contribuir para esta aproximação, assinalando também com este evento o fim da presidência da CPLP.

No entanto, este ainda não é o momento para relançar um dos setores mais importantes entre Cabo Verde e a França, o turismo, muito afetado devido à pandemia de covid-19.

“A privatização da Cabo Verde Airlines ficou ameaçada devido à pandemia e o Governo está a pensar resgatá-la. Somos um país constituído por ilhas e o transporte aéreo é fundamental para as pessoas. Seria muita bazófia dizer neste momento que queremos ser agressivos a nível de turismo. Temos de arrumar a casa, essa agressividade virá no futuro”, indicou o embaixador.

O Estado cabo-verdiano assumiu na terça-feira a posição de 51% da Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) detida desde 2019 por investidores islandeses, alegando vários incumprimentos na gestão e dissolvendo de imediato os corpos sociais.

A reversão de privatização da Cabo Verde Airlines – nome comercial adotado desde 2019 para a TACV – tem efeitos desde terça-feira, com a publicação do decreto-lei que a autoriza, aprovada pelo Conselho de Ministros, face às “sérias preocupações” com o “cumprimento dos princípios, termos, pressupostos e fins” definidos no processo de privatização, e cuja intenção já tinha sido anunciada anteriormente pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

A organização do jantar do lado de Cabo Verde ficou a cargo de Bruno António, lusodescendente com a missão do reforço dos laços entre França e Cabo Verde, e o senador Stéphane Artano, que representa o território ultramarino de Saint-Pierre-et-Miquelon.

CYF (PVJ) // LFS  – Lusa/Fim

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