Luanda, 22 set 2026 (Lusa) – O Governo angolano considerou hoje “inaceitável” que a transformação digital crie exclusão no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde milhões de cidadãos continuam sem acesso regular à internet, defendendo investimentos em infraestruturas para reduzir desigualdades.
“Não podemos aceitar que a transformação digital crie formas de exclusão. A internet deve constituir uma oportunidade para todos. Ninguém deve ficar para trás, independentemente da sua localização geográfica, a sua condição económica (…) ou eventuais limitações físicas”, afirmou hoje o secretário de Estado da Comunicação Social de Angola, Nuno Caldas.
Em declarações na abertura oficial do 5.º Fórum Lusófono da Governação da Internet (FLGI), que se iniciou hoje em Luanda, disse que apesar dos avanços tecnológicos registados [a nível da CPLP] “ainda persistem desafios assinaláveis”.
Assinalou que milhões de cidadãos continuam sem acesso regular e de qualidade à internet, acrescentando que em muitas comunidades, particularmente em zonas rurais, os custos dos equipamentos de serviços de telecomunicações ainda limitam a plena participação da sociedade digital.
“Reduzir esta desigualdade exige, naturalmente, investimentos consistentes, quer nas infraestruturas, quer na expansão da banda larga, na eletrificação, na literacia digital e, sobretudo, na formação de competências”, referiu.
Nuno Caldas defendeu também atenção especial às crianças, jovens e mulheres no espaço lusófono “garantindo-lhes condições de acesso, formação e segurança” no ambiente digital.
Considerou que os jovens representam a maior força criativa dos países da CPLP e estes devem ser preparados não apenas para consumir tecnologia, mas também para desenvolver soluções, criar empresas e participar ativamente na economia digital.
Por outro lado, o governante angolano afirmou que o desenvolvimento da internet coloca vários desafios, nomeadamente da inclusão digital, da cibersegurança (…), inteligência artificial, literacia digital, acesso de conteúdos em língua portuguesa e a garantia de diretos fundamentais no ambiente digital.
Por isso, observou, para os países da CPLP existe ainda uma responsabilidade particular: “Garantir que a língua portuguesa tenha uma presença forte, diversificada e relevante na internet”.
“A nossa língua deve ser não apenas uma língua de comunicação, mas também uma língua de conhecimento”, frisou.
O Governo angolano, sinalizou igualmente Nuno Caldas, não está alheio às dinâmicas da digitalização, estando permanentemente em concertação com os parceiros sociais, internos e externos, para salvaguarda dos interesses em torno do uso seguro da internet.
Assegurou ainda que Angola tem desenvolvido políticas e iniciativas destinadas a promover a transformação digital, a inclusão social, a modernização da administração pública e a melhoria dos serviços prestados aos cidadãos.
A Importância da quinta edição do FLGI, cujos trabalhos decorrem até quinta-feira no Centro de Convenções de Talatona, sul de Luanda, foi também destacada pelo diretor-geral do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade da Informação em Angola, organizador do evento, André Pedro.
A secretária da mesa da assembleia-geral da Associação das Entidades Gestoras dos Domínios de Topo de Língua Portuguesa (LusNIC), Andreia Brito, disse, na sua intervenção, que o encontro vai abordar os desafios globais, mas também as especificidades dos países da CPLP, as infraestruturas, a língua e a diversidade da lusofonia.
Conectividade, desenvolvimento de infraestruturas digitais nos países de língua portuguesa e crianças e adolescentes na internet: desafios para regulação e oportunidades de desenvolvimento constam ainda entre os temas em reflexão neste fórum lusófono.
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