UCCLA quer cooperação económica entre cidades lusófonas com Macau na presidência

Macau, China, 14 abr 2026 (Lusa) – O secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) disse hoje que a organização, que será presidida por Macau até 2028, está a “concretizar um dos seus sonhos”, o de promover a cooperação económica entre municípios.

Luís Campos Ferreira falava na abertura de um fórum empresarial sobre infraestruturas e cidades inteligentes, organizado à margem da assembleia geral da UCCLA, em Macau.

O português disse que o fórum marca “uma nova era”, ao permitir às cidades e empresas lusófonas e chinesas “conhecerem-se e acreditarem que podem cooperar de uma forma muito produtiva”.

“Só em cooperação com as empresas é que as cidades podem” responder aos anseios dos cidadãos no que toca ao desenvolvimento económico, defendeu Campos Ferreira.

“É por isso que a economia é tão importante, porque cria riqueza que pode ser distribuída”, explicou o antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, entre 2013 e 2015.

Também o presidente da Câmara Municipal do Fundão defendeu que o regresso a Macau representa “um virar de página que é muito positivo” para a UCCLA, que “teve uma dimensão cultural numa fase inicial”.

A organização “está a assumir pela primeira vez um campo da diplomacia económica que é extremamente relevante para as cidades”, disse Miguel Gavinhos.

Após o fórum, o Governo de Macau organiza uma visita à vizinha Hengqin (ilha da Montanha), zona económica especial gerida em conjunto com as autoridades da província de Guangdong, para explorar oportunidades com empresas do interior da China.

A visita demonstra o olhar mais atento da UUCLA à “sustentabilidade económica” das cidades, explicou Gavinhos. “Estamos muito satisfeitos com esta evolução”, acrescentou.

Constituída em 1985, a organização tem entre as cidades fundadoras Bissau, Lisboa, Luanda, Macau – então ainda sob administração portuguesa –, Maputo, Praia, Rio de Janeiro e São Tomé/Água Grande.

Macau acolheu na segunda-feira, pela quarta vez, a assembleia geral da UCCLA, que terminou com a eleição da cidade para presidir à comissão executiva da organização.

O presidente do Instituto de Assuntos Municipais de Macau disse hoje aos jornalistas que é “uma honra” para a região semi-autónoma chinesa, onde o português é língua oficial, liderar a UCCLA.

Chao Wai Ieng recordou que a China designou Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003.

A integração da região com a vizinha Hengqin e no projeto da Grande Baía cria “uma sinergia significativa para o desenvolvimento das nossas cidades”, defendeu o dirigente.

A Grande Baía é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

Tanto Hengqin como a Grande Baía “representam um leque de oportunidades que pode ser aproveitado por empresas lusófonas”, disse Chao.

VQ // JMC – Lusa/Fim

O Secretário-Geral da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa), Luís Álvaro Campos Ferreira (E), ladeado pelo presidente do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), Chao Wai Ieng, durante a cerimónia de descerramento do busto do poeta Luís de Camões na sessão solene da XLIII Assembleia Geral da UCCLA, no salão nobre do IAM em Macau, China, 13 de abril de 2026. GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA
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