São Paulo, 07 mai 2022 (Lusa) – A semana da língua portuguesa foi celebrada hoje em São Paulo, no Brasil, com a inauguração de uma instalação dedicada a José Saramago e com um protocolo para o polo europeu do Museu da Língua Portuguesa em Coimbra.

“Hoje, nós estamos celebrando a semana da língua portuguesa com duas importantes iniciativas. Na primeira delas, o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo com a cidade de Coimbra, em Portugal, através de um protocolo de intenção assinado hoje, que estabelece um novo polo do museu para a comunidade europeia”, frisou o Governador do estado brasileiro de São Paulo, Rodrigo Garcia.

“Também estamos celebrando com a exposição do José Saramago, grande escritor da língua portuguesa, ganhador do prémio Nobel, que nos inspira com sua literatura instigante”, acrescentou.

A assinatura do protocolo inseriu-se nas cerimónias do Dia da Língua Portuguesa, celebrado em 05 de maio, que contaram com a presença do presidente da Assembleia da República de Portugal, Augusto Santos Silva, e da presidente da Fundação José Saramago, Pilar Del Río.

Em declarações à Lusa após a assinatura do protocolo, numa sessão virtual, o presidente da Câmara de Coimbra disse que “é com satisfação e orgulho que agora somos colonizados na língua portuguesa pelo Museu da Língua Portuguesa de São Paulo”.

José Manuel Silva admitiu colocar o Polo Europeu numa estação ferroviária (Estação Nova), à semelhança do Museu da Língua Portuguesa que está instalado numa antiga estação de comboios.

Hoje foi também inaugurada a instalação ‘O Conto da Ilha Desconhecida’, que assinala os 100 anos de nascimento de Saramago e estará em exposição no Museu de Língua Portuguesa até 24 de julho.

O projeto consiste numa barca insuflável, livremente inspirada na história do livro de José Saramago com o mesmo nome, e foi desenvolvida pela companhia teatral Pia Fraus.

A também viúva de José Saramago lembrou o desejo do único escritor de língua portuguesa a ganhar um Nobel de Literatura de emigrar para aquele país, o que nunca aconteceu.

“Como tantos outros, José Saramago poderia ter emigrado para o Brasil. Como tantos outros intelectuais e trabalhadores, a hipótese do Brasil sempre teve presente de alguma maneira. A carta que li e que forma parte de um livro que em breve aparecerá no Brasil – ‘Saramago, Os Seus Nomes’ -, o autor expressa seu desejo de emigrar para o Brasil. Não o cumpriu”, disse.

Numa breve intervenção, o presidente da Assembleia da República portuguesa, Augusto Santo Silva, citou um trecho de um poema da escritora brasileira Cecilia Meireles, chamado “As palavras Voam”, para falar sobre a língua portuguesa que faz parte da vida de mais de 280 milhões de pessoas e é oficialmente adotada por nove países.

“As palavras voam e isto quer dizer, entre muita outras coisas, estas duas que queria valorizar agora. Porque voam [as palavras] superam facilmente os obstáculos, voam por cima de nós, voam por cima dos muros, voam por cima dos quintais e das barreiras. E porque voam transportam consigo nossas maneiras de ser, se sentir, de reagir, as nossas culturas, a nossa literatura, o nosso cinema, as nossas músicas e o nosso teatro”, frisou Santos Silva.

O presidente da Assembleia portuguesa, que termina hoje uma viagem de quatro dias ao Brasil, também salientou que “a melhor maneira de celebrar as palavras e as línguas que elas formam é celebrar as formas como nossas culturas vão atualizando, modernizando, inovando as palavras que utilizamos”.

CYR (AMV) // MCL – Lusa/Fim

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