Maputo, 25 mar 2026 (Lusa) – A primeira-ministra moçambicana pediu hoje, em Maputo, aos jovens investigadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que proponham “soluções práticas e concretas” para desenvolver os Estados-membros e melhorar a vida das comunidades.
“Exortamos-vos para que as vossas pesquisas e investigações não se limitem a relatórios académicos e teóricos, pois devem propor soluções práticas e concretas que contribuam para a melhoria da vida social e económica das comunidades, concorrendo, desta forma, para o desenvolvimento sustentável e inclusivo dos nossos países”, disse a primeira-ministra, Maria Benvinda Levi.
A governante falava na abertura da IV Conferência de Jovens Investigadores da CPLP sobre África, que decorre até sexta-feira, em Maputo, sob o lema “Diversidade Cultural, Inovação Digital e Saberes Ancestrais: Construindo Futuros Sustentáveis em África”.
A primeira-ministra referiu que o encontro decorre num contexto de desafios agravados por fenómenos climáticos extremos, nomeadamente chuvas, cheias e inundações que têm afetado o tecido económico e social dos países membros da CPLP, pedindo a estes jovens soluções concretas para estes fenómenos através da ciência, tecnologia e inovação.
“Contamos com a participação e envolvimento ativo da academia e das instituições de ensino e de investigação, que não devem ser apenas laboratórios teóricos do conhecimento”, afirmou a governante moçambicana, defendendo o reforço do papel da ciência na resposta aos desafios da comunidade falante da língua portuguesa.
Maria Benvinda Levi alertou ainda para os desafios associados ao uso crescente da inteligência artificial, defendendo uma utilização responsável das novas tecnologias no processo de desenvolvimento.
“Como Governo, continuaremos a apostar no fortalecimento da investigação científica, no desenvolvimento tecnológico da inovação, com o objetivo último de promover e incentivar a identificação de soluções mais eficientes e sustentáveis que concorram para a contínua melhoria das condições de vida das comunidades”, acrescentou Levi.
Já a presidente da Associação Encontro de Jovens Investigadores da CPLP (EJICPLP) sobre África, Cristina Molares D’Abril, defendeu maior integração científica entre os países lusófonos e uma aposta na ciência como motor de transformação.
“Até agora usámos as políticas sem a ciência. Não está a dar certo. Porque não arriscar e pormos a ciência a nosso favor?”, afirmou.
A conferência reúne pelo menos 1.200 participantes, mais de 40 oradores da CPLP e da diáspora e cerca de 60 jovens investigadores selecionados para apresentação de trabalhos, registando-se um crescimento face às edições anteriores realizadas em Lisboa e Luanda, capital angolana.
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