Lisboa, 08 jul 2021 (Lusa) – O ex-Presidente da República cabo-verdiana Pedro Pires criticou hoje a falta de apoio financeiro ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), de modo a potenciar o ensino do português no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“A língua como qualquer produto social exige que seja usada, praticada, defendida e difundida” e “deve-se proporcionar ao IILP mais recursos humanos e financeiros para que possa desempenhar coerentemente o papel que lhe é destinado”, afirmou o antigo chefe de Estado, discursando ‘online’ no debate “Da Cooperação entre os países de língua oficial portuguesa”, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA).

O reforço do ensino do português como língua não materna ou projetos de “bilinguismo nas escolas básicas dos países africanos” foram algumas das propostas de Pedro Pires, num discurso feito a partir de Cabo Verde, país onde o IILP tem sede.

Já Marta Moniz, presidente da comissão executiva da Sofid (Sociedade Financeira de Desenvolvimento), admitiu que o investimento privado português na CPLP tem vindo a reduzir progressivamente devido ao risco que persiste nos países africanos.

“A CPLP é muito importante no investimento português em África”, mas o “setor privado português tem vindo a encolher o seu investimento” por causa do risco associado e por causa da falta de capital, apontou.

Nos últimos meses, a União Europeia tem criado mecanismos para “retirar o risco que o setor privado não está a querer tomar legitimamente”, procurando “assumir parte desse risco” com investimento através de sociedades financeiras como a Sofid.

Apesar disso, continua a faltar “projetos bancarizáveis” para investir na África lusófona, afirmou a gestora, que manifestou a abertura da Sofid para promover “assistência técnica às empresas” que querem apostar nesses países.

“Há que criar um clima que permita estes investimentos”, disse, admitindo que “os países da CPLP não têm ficado muito bem no ‘ranking’ de ‘Doing Business’”, que mede a qualidade do ambiente empresarial.

Por seu turno, Fernando Jorge Cardoso, do Instituto Marquês de Valle Flor, referiu que o modelo de cooperação que existe é apenas num sentido: dos mais ricos para os países mais pobres.

Trata-se de uma “cooperação unívoca”, mas depois os “documentos oficiais falam em parcerias estratégicas ou parcerias entre iguais”, coisa que é “uma mentira”, frisou.

No entanto, dentro da CPLP, a cooperação tem maior eficácia, porque há “uma participação muito grande dos próprios países” nos projetos e na execução.

“A CPLP com muito menos dinheiro, muito menos impacto, acaba por, do meu ponto de vista, ter uma cooperação com bastante sucesso”, considerou, Jorge Cardoso, até porque, os países membros são “pobres” e não têm dinheiro e é necessário criatividade para encontrar soluções de investimento.

Para Vítor Ramalho, presidente da UCCLA, falta um “sentimento de pertença” que una a CPLP. “É uma organização mais dos Estados do que das pessoas”, afirmou, que desafiou o poder político a ser mais ambicioso nas propostas de mobilidade ou de cooperação entre países.

“Não faz sentido haver vistos para quem está a investir e a gerar riqueza entre os nossos povos”, resumiu.

PJA // LFS – Lusa/Fim

ex-Presidente da República de Cabo Verde e Patrono do Instituto Pedro Pires para a Liderança (IPP)

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