Lisboa, 30 mar 2021 (Lusa) – O secretário-geral da União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa (UCCLA) apelou hoje à concertação de esforços para contribuir para o fim da “indescritível desumanidade” contra “cidadãos indefesos” na região do Cabo Delgado, em Moçambique.

Numa carta dirigida aos presidentes das cidades associadas da UCCLA, Vitor Ramalho sugere uma reunião por videoconferência para serem ponderadas eventuais medidas que contribuam para o fim da violência em Pemba, capital da região de Cabo Delgado, em Moçambique.

No passado dia 24, um ataque em Palma matou dezenas de civis, segundo o Ministério da Defesa moçambicano, e a violência está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados e mais de duas mil mortes.

O secretário-geral da UCCLA tem ouvido relatos de cidadãos que se refugiaram em Maputo, Nampula e Quelimane – cidades associadas da organização – e que lhe terão feito “relatos indescritíveis” do que se passa em Pemba.

“São descrições de uma desumana crueldade, perpetrados por grupos fanáticos, que semeiam indiscriminadamente a morte, incluindo de crianças inocentes, não poupando quem quer que seja, independentemente da origem geográfica, de género ou etnia”, adiantou.

“Devemo-nos todos sentir cidadãos de Cabo Delgado”, defendeu, acrescentando: “É preciso concertarmos esforços numa solidária corrente de opinião que possa contribuir para pôr termo à gravíssima situação existente”.

E concluiu: “Isso implica que, pelos meios ao nosso alcance, sensibilizemos os poderes públicos nacionais e internacionais para que se obtenha uma resposta inadiável e eficiente, que esteja para além de declarações de condenação da barbárie, fundamentada numa lógica de morte e alheia ao respeito do direito fundamental à vida”.

Para Vitor Ramalho, esta resposta “tem subjacente a defesa do direito internacional, jamais podendo deixar de se articular com as funções soberanas do Estado de Moçambique”.

O movimento terrorista Estado Islâmico reivindicou na segunda-feira o controlo da vila de Palma, junto à fronteira com a Tanzânia.

Segundo as Nações Unidas, “dezenas de civis terão sido mortos e os confrontos entre grupos armados não-estatais e forças de segurança estão alegadamente em curso, pelo sexto dia consecutivo, de acordo com relatórios de várias fontes”, na sequência do recente ataque de grupos armados a Palma no passado dia 24.

A violência em Cabo Delgado está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados e mais de duas mil mortes.

Vários países têm oferecido apoio militar no terreno a Maputo para combater estes insurgentes, cujas ações já foram reivindicadas pelo autoproclamado Estado Islâmico, mas, até ao momento, ainda não existiu abertura para isso, embora haja relatos e testemunhos que apontam para a existência de empresas de segurança e de mercenários na zona.

SMM (APL) // VM – Lusa/Fim

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