Ministro da Justiça reúne-se com equipa de Mondlane para avaliar legalização do Anamalala

Maputo, 09 jun 2025 (Lusa) – O ministro da Justiça de Moçambique, Mateus Saíze, reuniu-se hoje, em Maputo, com uma delegação do antigo candidato presidencial Venâncio Mondlane para avaliar o processo de legalização do Anamalala, força política que está a ser fundada por Mondlane.

“Durante cerca de uma hora de um encontro cordial e produtivo, o ministro da Justiça  confirmou ter recebido oficialmente o expediente submetido pela nossa equipa, referente à regularização de alguns aspetos ligados à constituição do projeto político que lideramos. O ministro garantiu que o processo está a ser analisado com o devido rigor e que, brevemente, será emitido um despacho oficial sobre o assunto”, refere Venâncio Mondlane, em nota divulgada na sua página do Facebook.

Mondlane, que liderou a maior contestação aos resultados eleitorais em Moçambique desde as primeiras eleições multipartidárias (1994), avançou com a constituição do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamalala) em 03 de abril deste ano, conforme requerimento entregue no Ministério da Justiça, em Maputo, pelo seu assessor, Dinis TIvane.

Anamalala é uma expressão da língua local macua, da província de Nampula, no norte de Moçambique, com o significado de “vai acabar” ou “acabou”, usada pelo antigo candidato presidencial Venâncio Mondlane durante a sua campanha eleitoral e que igualmente se popularizou durante os protestos por si convocados.

O político moçambicano, que já passou pelos principais partidos no país, decidiu criar a sua própria força política após desentendimentos com o partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), uma antiga formação extraparlamentar que ganhou notoriedade após firmar um “acordo político” com Mondlane para as eleições de 09 de outubro passado.

Em resultado do “acordo político”, o Podemos, composto por dissidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e que nunca teve um deputado no parlamento desde a sua criação (2019), tornou-se o maior partido da oposição em Moçambique, tirando um estatuto que era da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), desde as primeiras eleições multipartidárias, em 1994.

Moçambique viveu, desde as eleições de outubro, um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas por Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais de 09 de outubro, que deram vitória a Daniel Chapo, apoiado pelo partido no poder , a Frelimo.

Segundo organizações não-governamentais que acompanham o processo, cerca de 400 pessoas perderam a vida em resultado de confrontos com a polícia e cessou após o encontro entre Mondlane e Chapo, em 23 de março.

EAC // MLL – Lusa/Fim

Venâncio Mondlane fala à comunicação social. Maputo, Moçambique, 11 de março de 2025. LUÍSA NHANTUMBO/LUSA
Subscreva as nossas informações
Scroll to Top