Bissau, 09 abr 2021 (Lusa) – Um grupo de académicos guineenses realizou hoje uma sessão evocativa do pedagogo brasileiro Paulo Freire, pelo seu legado no processo de alfabetização de adultos nos primeiros anos da independência da Guiné-Bissau.

A iniciativa é do CESAC (Centro de Estudos Sociais Amílcar Cabral), Universidade Colinas de Boé, organização não-governamental Tiniguena e da Rede Internacional de Educação Popular Diálogos com África.

Paulo Freire nasceu em 1921 no Recife e morreu em São Paulo em 1997, tendo vivido na Guiné-Bissau entre 1976 e 1977, onde introduziu o seu método de ensino para adultos através da alfabetização.

“No momento em que o mundo inteiro se prepara para comemorar o centenário de Paulo Freire, considerado um dos mais influentes pedagogos e revolucionários que o século XX conheceu, a Guiné-Bissau e a sua intelectualidade não podiam ficar indiferentes”, lê-se no convite da organização endereçado à Lusa.

Vários presentes na sessão evocativa, que decorreu na Universidade Colinas do Boé, do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros guineense, João José “Huco” Monteiro, lembraram a importância do método de ensino de Paulo Freire na alfabetização dos antigos guerrilheiros que tinham acabado de assumir a então República da Guiné-Bissau, três anos depois da sua independência unilateral de Portugal.

Ao presidir à abertura do ato, o ministro da Educação guineense, Jibril Baldé, saudou o legado “do professor Paulo Freire” na Guiné-Bissau e considerou o método do brasileiro como “pedagogia do oprimido” que “ajudou a forjar a jovem República”.

Citando Paulo Freire, o ministro salientou que o brasileiro defendia que “a alfabetização não consiste apenas na aquisição de técnicas de leitura e da escrita, é também uma tomada de consciência politica”.

Jibril Baldé citava aquilo que é um entendimento partilhado entre Paulo Freire e Amílcar Cabral, “pai” da independência da Guiné e Cabo Verde.

O programa das atividades evocativas de Paulo Freire na Guiné-Bissau inclui palestras, recolha de depoimentos de pessoas que viveram e trabalharam com o professor brasileiro durante a sua passagem pelo país, exposição fotográfica sobre o trabalho desenvolvido pela sua equipa e publicação de uma brochura alusiva à contribuição no desenvolvimento da educação popular e renovação pedagógica no ensino guineense.

As comemorações encerram no dia 16, com uma palestra sobre o tema “Paulo Freire e Amílcar Cabral – Em busca de convergências ideológicas”, a ser proferida por Carlos Cardoso, diretor do CESAC.

MB // LFS – Lusa/Fim

Fotos:

1.Escultura Efter badet em EstocolmoSuécia. Paulo Freire (segundo da esquerda para a direita) aparece ao lado de outras seis personalidades internacionais, entre elas Pablo Neruda e Mao Tsé-Tung.

2.Painel Paulo Freire no Centro de Formação, Tecnologia e Pesquisa Educacional (CEFORTEPE) da Secretaria Municipal de Educação de CampinasSão Paulo

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