Malaca, Malásia, 28 jun (Lusa) – O líder histórico da resistência timorense Xanana Gusmão defendeu hoje a união e o desenvolvimento de “elos de ligação” entre as comunidades asiáticas herdeiras de traços culturais de origem portuguesa.

Xanana Gusmão falava num jantar da primeira conferência das comunidades luso-asiáticas, que decorre em Malaca, na Malásia, e saudou “todos os amigos” presentes, “cidadãos de diferentes países e com histórias únicas (…), mas irmanados num laço comum”.

“Somos os guardiães de um património que é nosso. E este esforço, já por si gigantesco, terá de continuar a ser algo nosso. (…) Enquanto o resto do mundo destrói, nós vamos construir, enquanto outros querem romper com todos os laços do passado e do presente, nós iremos construir elos de ligação entre nós e que se perpetuarão para as futuras gerações”, afirmou o ex-Presidente, ex-primeiro-ministro e atual ministro de Timor-Leste.

Xanana Gusmão congratulou a comunidade lusodescendente de Malaca por organizar a conferência e “tornar realidade algo transcendente, que estava latente nos sentimentos de todos”, referindo existe entre estas comunidades uma “aspiração sublime de união”.

A primeira conferência das comunidades luso-asiáticas decorre no “Portuguese Settlement” de Malaca, um bairro onde vive uma comunidade católica, que mantém tradições de inspiração portuguesa e fala um crioulo que mistura o português antigo com palavras malaias.

São comunidades deste tipo, que estão espalhadas pela Ásia, que os organizadores da conferência dizem ser importante salvar. O objetivo da conferência é unir esforços e sensibilizar a CPLP, e em especial Portugal, para esta questão.

Durante a manhã, falando aos jornalistas, Xanana Gusmão havia proposto que estas comunidades sejam convidadas a participar na próxima conferência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre o futuro da língua portuguesa.

Xanana Gusmão considerou que não está em causa a quantidade de pessoas que integram estas comunidades, mas a valorização que fazem da sua história e da ligação que sentem a uma identidade que tem origem na lusofonia.

O líder histórico da resistência timorense deu como exemplo Timor-Leste, onde o português foi proibido durante os 24 anos da ocupação indonésia, mas que escolheu a língua portuguesa como idioma oficial.

Na abertura da conferência, foi lida uma mensagem do ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que sublinhou a importância de valorizar as comunidades lusófonas em países onde o português não é língua oficial, considerando que todas as variedades do idioma têm “igual valor”.

“Por estarmos profundamente convencidos da relevância deste património global apoiámos na nova visão estratégica [da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – CPLP] a valorização das comunidades lusófonas em países terceiros, tanto as resultantes de diásporas oriundas do espaço da CPLP, como as comunidades noutros países ou regiões que preservam a influência da língua portuguesa e partilham laços connosco”, considerou o ministro, na mesma mensagem.MP // JMR – Lusa/fim

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