Lisboa, 06 jul 2019 (Lusa) – O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, destacou a importância da visita ao país do papa Francisco em Setembro, num momento de reconciliação nacional e conclusão das negociações do processo de paz.

“É uma visita importante sobretudo neste momento em que nos estamos a reconciliar, estamos a caminhar para a paz, é uma visita importante num país onde a justiça social tem que ser restabelecida de forma plena e efetiva”, afirmou Filipe Nyusi, em entrevista à Lusa e Euronews, à margem do EurAfrican Forum, que decorreu até sexta-feira em Carcavelos, Cascais.

Nyusi vai-se encontrar com o líder católico no Vaticano na próxima semana e disse que espera uma visita papal “com a mensagem conjunta de promover a paz”, que “vai incentivar a reconciliação entre os moçambicanos, não só em termos de guerra, mas mesmo em termos de religiões”.

“Paz, esperança e reconciliação”, será o tema da visita de Francisco, disse o chefe de Estado moçambicano, recordando que o governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, na oposição) estão a concluir as negociações de paz, com o desarmamento dos guerrilheiros.

Filipe Nyusi recordou que está concluída a primeira fase das negociações de paz acordadas com o líder histórico da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, que morreu há um ano.

“O problema dele era a descentralização. Havia zonas em que ele achava que tinha influências e onde ele deveria governar”, disse o Presidente moçambicano, salientando que essa questão “está resolvida”.

“As eleições autárquicas foram feitas na base do novo figurino resultante de consenso” com a Renamo e agora é a vez das eleições provinciais em outubro, a par das presidenciais.

A questão que o Nyusi disse ter levado à mesa de negociações foi o desarmamento dos guerrilheiros da Renamo, 27 anos após as tréguas finais da guerra civil.

“Temos que completar o processo de paz que não é um processo terminado”, afirmou Nyusi, que quer chegar a um acordo com a Renamo em breve sobre o modo de “desarmar, desmobilizar e reintegrar” os guerrilheiros.

Isto porque “gerir o ambiente pós-eleições é muito complicado”. “Estou muito concentrado como é que isso será gerido”, afirmou Nyusi, salientando que, na semana passada, discutiu esta questão com o líder da Renamo, Ossufo Momade.

Nas últimas semanas, o setor militar da Renamo tem criticado a liderança política, mas Nyusi mostrou-se otimista no sucesso das negociações.

Ossufo Momade “está a gerir alguma turbulência o que é normal”, minimizou o chefe de Estado de Moçambicano e líder da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

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