O primeiro-ministro cabo-verdiano considerou hoje que a visita oficial do presidente da Comissão Europeia (CE) a Cabo Verde foi um “grande momento na história” do relacionamento entre a Cidade da Praia e Bruxelas.

Num balanço feito à agência Lusa aos dois dias da visita de José Manuel Durão Barroso ao país, José Maria Neves lembrou que a “boa execução” do contratualizado no programa de cooperação bilateral em 2008 foi “premiado” com o bónus de 10, 2 milhões de euros até 2013, juntando a verba aos 60 milhões de euros previstos inicialmente.

“Conseguimos fazer a avaliação dos cinco anos da Parceria Especial (UE/Cabo Verde). Os resultados são extraordinariamente positivos para o país e há também ganhos comuns para UE”, disse o chefe do executivo cabo-verdiano à Lusa, numa pausa dos últimos compromissos de Durão Barroso, já no Mindelo (São Vicente).

José Maria Neves salientou que Cabo Verde tem cumprido com os seis pilares previstos na parceria especial, designadamente na boa governação, democracia, liberdades, segurança e estabilidade, sociedade de informação, densificação da sociedade civil, cooperação para o desenvolvimento e luta contra a pobreza.

“A parceria tem trazido um contributo fundamental para o processo de modernização e de transformação do país, para o crescimento da economia e para a debelação da pobreza”, acentuou.

Durão Barroso, que não prestou qualquer declaração aos jornalistas durante a estada no Mindelo, visitou na “capital” de São Vicente projetos nos setores da água e saneamento e viu com a sociedade civil – Associação de Defesa do Consumidor e o Atelier de Artes Mar – ações que tem, disse José Maria Neves, ações com “impacte muito positivo” na qualidade de vida das pessoas.

“Foi uma visita muito produtiva e há condições para reforçar as relações com a UE, descobrindo novas avenidas de cooperação, como nas áreas das energias renováveis e das tecnologias da informação e comunicação e ainda na construção de fatores de competitividade económica”, afirmou.

José Maria Neves adiantou que o passo seguinte é o começo das negociações para o programa de cooperação UE/Cabo Verde para o período entre 2014 e 2020, lembrando a possibilidade de acesso a fundos europeus através dos programas de apoio comunitários às regiões ultraperiféricas da Europa – Açores, Madeira e Canárias.

“Temos acesso a alguns fundos do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) e do 10.º FED (Fundo Europeu de Desenvolvimento) e vamos apostar aí também”, referiu, lembrando os acordos de cooperação já existentes com os três arquipélagos que integram, com Cabo Verde a região da Macaronésia.

No âmbito sub-regional, concluiu, Cabo Verde e a UE podem desenvolver ações comuns com outros países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) nas áreas das energias renováveis, combate ao narcotráfico e criminalidade conexa e segurança e estabilidade – Guiné-Bissau, Mali e “Corredor do Sahel”.

Durão Barroso, que janta hoje com a comunidade cultural no Mindelo, regressa depois à Cidade da Praia, de onde seguirá para Lisboa às primeiras horas de segunda-feira.

JSD // MSP

Lusa/Fim

Foto: LUSA – Jose Manuel Barroso (L) companhado pelo Primeiro Mnistro de Cabo Verde José Maria das Neves recebe as Boas Vindas pelas crianças da Orquestra de Tambores pelos Direitos Humanos de Mndelo, Cabo Verde, 27 outubro, 2012. LUIS MARGARITO MELO / LUSA

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