Paris, 11 out (Lusa) – A cantora franco-angolana Lúcia de Carvalho vai apresentar, esta sexta-feira, em Paris, um disco e um documentário que resultam de uma viagem musical entre o Brasil, Angola e França em busca das suas raízes.

O disco chama-se “Kuzola” e o documentário, do realizador Hugo Bachelet, intitula-se “Kuzola, le Chant des Racines” (“Kuzola, o Canto das Raízes”), acompanhando o percurso da criação de um álbum que juntou músicos de três continentes e ritmos que vão desde o semba angolano, ao samba brasileiro, passando por ritmos funk, soul e rock.

“Kuzola significa amar em quimbundo [idioma banto de Angola] em referência a essa energia do amor que nos permite ser profundamente nós mesmos e ao mesmo tempo une as coisas em nós e nos une aos outros. É essa energia do amor que une os humanos, por isso se chama Kuzola porque esse álbum foi criado entre a França, o Brasil e Angola”, disse a cantora à Lusa, em Paris.

O disco conta com participações dos angolanos Banda Maravilha e Irina Vasconcelos, dos brasileiros Mário Pam do grupo Ilê Aiyê e Lazzo Matumbi, do cubano Alexey Martinez e do francês Robert Dam, entre outros.

Lúcia de Carvalho, de 36 anos, nasceu em Luanda, foi viver para uma aldeia de crianças em Almada com seis anos, para fugir à guerra civil angolana, e aos 12 foi adotada por uma família francesa da região da Alsácia, onde descobriu, mais tarde, os ritmos brasileiros no grupo de músicas tradicionais brasileiras “Bia de Assis et Som Brasil”. Em 2011, lançou um primeiro EP, intitulado “Ao Descobrir o Mundo”.

“O meu estilo musical mistura músicas do mundo com músicas mais atuais, música pop, funk, rock. Na música brasileira o que eu gosto muito são as coisas percussivas. Eu misturo assim esse tipo de coisas, entre música brasileira, um pouco de música africana e música atual daqui”, descreveu Lúcia de Carvalho, sublinhando a importância dos arranjos do guitarrista Edouard Heilbronn, um francês de Estrasburgo “apaixonado pelo Brasil e pela música brasileira”.

As gravações de “Kuzola”, que contaram com a participação de cerca de 30 músicos locais em França, Brasil e Angola, foram acompanhadas pela câmara de Hugo Bachelet que percebeu que o disco “era qualquer coisa muito pessoal” e que a música era o “passaporte” da cantora para viajar em busca das suas raízes.

“Seguimos a Lúcia e o Edouard em viagem nas gravações do álbum, durante quase um ano, entre a Alsácia, Portugal, Brasil e Angola. Ficámos com horas e horas e horas de imagens e depois foi juntar tudo e contar a história mais emocionante possível porque a Lúcia investiu muito no disco e queríamos compreender porque era tão importante para ela esta viagem”, que “é um verdadeiro regresso às raízes e uma procura de identidade”, descreveu o realizador.

Esta sexta-feira, Lúcia de Carvalho vai atuar e apresentar o disco e o documentário no cinema L’Entrepôt, em Paris, voltando a cantar na capital francesa na festa “Queima das Fitas” da associação Cap Magellan, este sábado.

Em novembro, o projeto Kuzola vai ser apresentado em Angola, nomeadamente em Luanda, Cabinda e Lubango, com o apoio da Alliance Française de Luanda.

No fim de semana passado, Lúcia de Carvalho venceu o prémio “Prix Cap Magellan/Mikado – Trace Toca da melhor revelação artística” na Noite de Gala oferecida pela autarquia parisiense à comunidade portuguesa, na Câmara Municipal de Paris.

CAYB // PJA – Lusa/fim

Kuzola, le Chant des Racines – Teaser (Brésil) VF from COUAC Productions on Vimeo.

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