Lisboa, 03 mai (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros português disse hoje que o uso sistemático do português nos documentos oficiais e o ensino da língua são condições essenciais da adesão plena da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Portugal entende que o sistemático uso em todos os documentos oficiais do português como língua oficial é uma condição ‘sine qua non’ da adesão plena da Guiné Equatorial à CPLP”, defendeu hoje o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, numa conferência de imprensa de apresentação das comemorações do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP, que se assinala na quinta-feira.

Outra “condição essencial”, para o Governo português, é o ensino da língua portuguesa “em todo o sistema educativo” da Guiné Equatorial, o único país de língua espanhola no continente africano, que aderiu à organização lusófona em 2014.

Santos Silva recordou que, em março, teve um encontro bilateral em Lisboa com o seu homólogo equato-guineense, Agapito Mba Mokuy, a quem transmitiu a disponibilidade de Portugal para cooperar no ensino da língua naquele país, propondo a replicação do programa em vigor na Namíbia, que tem sido “tão bem sucedido”.

Esta oferta, acrescentou, mantém-se “completamente válida” e disse esperar que “seja acolhida pelas autoridades” da Guiné Equatorial.

Esta cooperação pode ser triangular, com o Brasil a manifestar também disponibilidade para apoiar aquele país no ensino do português.

No encontro com o ministro das Relações Exteriores equato-guineense, Agapito Mba Mokuy, Santos Silva transmitiu também que as eleições presidenciais na Guiné Equatorial, que decorreram no dia 24 de abril, seriam “um teste muito importante” sobre o respeito daquele país aos “valores constitutivos” da CPLP.

Questionado hoje sobre a forma como o Governo português acompanhou as eleições, Santos Silva afirmou que a nota da missão da CPLP é “muito equilibrada e muito precisa”.

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, no poder há 37 anos, foi reeleito com 93, 7% dos votos nas presidenciais do passado dia 24 de abril.

A CPLP realizou uma missão de observação eleitoral, entre os dias 22 e 26 de abril, que considerou que as eleições decorreram “de forma ordeira e pacífica” e registou uma predominância de elementos do partido no poder.

JH // VM – Lusa/Fim
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