9 March 2021
Apoiantes do Benfica prestam homenagem a Mário Coluna Portugal, 27 de fevereiro de 2014. JOSE SENA GOULÃO/LUSA

Universidade moçambicana distingue Mário Coluna com título `honoris causa´

Maputo, 11 jul (Lusa) – A Universidade Pedagógica de Moçambique distinguiu hoje o ex-futebolista luso-moçambicano Mário Coluna com o título `honoris causa´ na área de desporto, lembrando-o como um dos primeiros atletas a “empurrar” a seleção portuguesa para a conquista de um título.

“É um título merecido e um reconhecimento pelo trabalho que este incontornável nome do futebol deixou”, afirmou o reitor da Universidade Pedagógica, Rogério José Uthui, falando durante a cerimónia de atribuição do `honoris causa´ em ciências do desporto ao futebolista desaparecido há dois anos em Maputo.

Lembrando o poder de liderança do ‘monstro sagrado’, o reitor da Universidade Pedagógica disse que Mário Coluna eternizou-se como futebolista no panorama internacional, dirigindo o Benfica e a seleção de Portugal nos grandes palcos mundiais.

“Ele lutou pela excelência”, declarou Rogério José Uthui, destacando a importância da “inspiradora história” de Mário Coluna para outras gerações de jovens talentos moçambicanos.

Por seu turno, o diretor da Faculdade de Educação Física da Universidade Pedagógica, Sílvio Saranga, lembrou também o ‘monstro sagrado’ como um dos primeiros futebolistas que empurrou a seleção portuguesa rumo ao seu primeiro título, com a conquista do europeu no domingo em França, 50 anos depois de ter liderado os ‘magriços’ para o terceiro lugar no mundial de Inglaterra, ao lado de outros moçambicanos como Eusébio, Hilário e Vicente Lucas.

“Foi tudo um processo e, entre os pioneiros, Mário Coluna estava lá”, afirmou Sílvio Saranga, observando que, mais do que um futebolista, Coluna foi um líder.

A vice-ministra moçambicana da Juventude e Desporto, Ana Flávia Azinheira, lembrou Mário Coluna como “uma criança com sonhos”, um jovem que venceu as suas dificuldades e tornou-se numa referência internacional.

“Foi um desportista, um político e um exemplo para todos nós”, afirmou.

Ana Flávia Azinheira aproveitou para saudar Portugal pela conquista do seu primeiro título europeu, considerando que os laços históricos que unem os dois países fazem da seleção portuguesa a “equipa dos moçambicanos”.

“Temos uma afinidade muito grande com o povo português e orgulha-nos bastante ver Portugal a vencer”, declarou a vice-ministra.

Nascido em Inhaca, uma ilha próxima da capital moçambicana, a 06 de agosto de 1935, o antigo jogador do Benfica morreu a 25 de fevereiro de 2014, aos 78 anos, em Maputo, vítima de uma infeção pulmonar grave.

Após uma triunfante estada no Benfica, no qual conquistou dois campeonatos europeus, e de se tornar numa das maiores referências históricas da seleção portuguesa, após a independência de Moçambique, Coluna regressou ao seu país de origem e foi deputado e presidente da Federação Moçambicana de Futebol.

Mário Coluna foi distinguido com o Colar de Honra de Mérito Desportivo do Governo português e integrado na equipa do século da Federação Portuguesa de Futebol.

Em 2015, o antigo capitão da seleção portuguesa recebeu, a título póstumo, a Medalha de Mérito Desportivo do Estado moçambicano, a mesma atribuída à campeã mundial e olímpica dos 800 metros, Lurdes Mutola.

EYAC // VR – Lusa/Fim

 

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