1 March 2021
O diário da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, de 1497 a 1499, está entre os 84 pedidos de inscrição no Registo da Memória do Mundo, que serão analisados na próxima semana, anunciou hoje a Unesco.

Unesco analisa classificação de diário da 1.ª viagem à Índia de Vasco da Gama

Os pedidos serão analisados pelo Comité Internacional do Programa Memória do Mundo, que se reúne entre os dias 18 e 21 em Gwangju, na Coreia do Sul.

O Comité faz as recomendações, cabendo depois a decisão de classificação à diretora-geral da Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Irina Bokova.

Propriedade da Biblioteca Municipal do Porto, o original do diário da viagem de Vasco da Gama à Índia, em 1497, é atribuído a Álvaro Velho, do Barreiro, e esteve exposto naquela biblioteca em 2008. A Faculdade de Letras da Universidade do Porto disponibiliza-o “on line”, na coleção Gâmica da Biblioteca Digital, numa leitura crítica do investigador José Marques.

O texto “fornece testemunho da viagem marítima pioneira (…), um dos momentos decisivos que mudaram o curso da história”, refere o texto, na lista de pedidos à Unesco.

Criado em 1997 para proteger o património documental mundial, o Registo Memória do Mundo integra atualmente 245 itens, três dos quais são portugueses e fazem parte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT).

São estes a carta de Pêro Vaz de Caminha ao rei de Portugal D. Manuel I (Terra de Vera Cruz, Brasil, 1 de Maio de 1500), sobre a chegada ao Brasil, o Tratado de Tordesillas (versão castelhana), de 07 de junho de 1494, e um conjunto de 83.212 documentos (1161-1699), cujo interesse, segundo o ANTT, “reside na informação e esclarecimento sobre as relações entre os europeus, sobretudo as dos portugueses com os povos africanos, asiático e latino-americanos”.

Na reunião da próxima semana do comité da Unesco é analisada também a inclusão no registo do arquivo do arquiteto Oscar Niemeyer (com 8.927 documentos) e de documentos relativos às viagens do imperador D. Pedro II no Brasil e no exterior, pedidos pelo Brasil, assim como da coleção de documentos audiovisuais de Max Stahl, sobre o nascimento da nação de Timor-Leste.

A coleção de manuscritos originais da juventude de Ernesto ‘Che’ Guevara, o património do Festival de Jazz de Montreux, o conjunto de testemunhos do museu do Holocausto em Israel e a coleção de manuscritos do Corão mameluco, da Biblioteca Nacional do Egito, são outros documentos que poderão ser classificados pela UNESCO.

 

PAL // MAG – Lusa/Fim

Foto: A réplica da caravela Boa Esperança navega no rio Tejo durante as comemorações do Dia do porto de Lisboa, a 31 de Outubro de 1990. JOÃO PAULO TRINDADE / LUSA

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