Luanda, 17 jan (Lusa) – Os 30 anos da parceria entre a União Europeia e Angola, período em que o país recebeu 1.050 milhões de euros de apoio comunitário, foram hoje assinalados em Luanda com a abertura de uma exposição de arte contemporânea.

A exposição “EU [European Union] em Angola” envolve trabalhos de sete artistas contemporâneos angolanos, com experiência internacional, e dois europeus, explorando a relação entre a Europa e África, nos seus vários períodos, influências sociais, políticas, económicas e culturais como obra de arte e exemplo desta inter-relação.

“Isto é só o início, nós queremos fazer parte da mudança em Angola. Usem a criatividade não só para exposições, mas também para vos ajudar e encontrar soluções, a ajudar a entender o nosso povo, a celebrar a nossa cultura e para ter imagens do que nós fomos e do que vamos ser”, explicou a artista e curadora da exposição, Keyezua.

Na abertura da exposição, que está patente no Centro Cultural Camões, na capital angolana, até 11 de fevereiro, o novo embaixador da União Europeia em Luanda, Tomas Ulicny, recordou que ao longo dos últimos 30 anos Angola recebeu cerca de 1.050 milhões de euros de apoio comunitário “para a implementação de um vasto número de projetos e programas de desenvolvimento”, desde as infraestruturas, à desminagem, passando pelo saneamento ou agricultura.

“E nada melhor que a arte para celebrar tanto tempo de intensa cooperação”, apontou o diplomata, acrescentando a importância deste tipo de evento, apoiado pela União Europeia.

“Esta exposição sublinha ainda um valor que nos é muito caro: A liberdade de expressão”, disse Tomas Ulicny.

A exposição “EU em Angola” conta com os trabalhos dos artistas angolanos Ana Silva, com “Os detalhes que nos transformam”, João Ana e Elepê, com “Beyond here are lies”, Kiluanji Kia Henda, com “12 estrelas de gratidão”, Binelde Hyrcan, com “Brexit”, Januário Jano, com “Below the skins” e Keyezua, com “Xé, vamos juntos!”.

A portuguesa Rita GT, com um percurso internacional e que já passou cinco anos em Angola, retrata com a sua instalação a “história de amor entre a dona Rita e o senhor Macuta”, numa alusão, respetivamente, à nota e à moeda do tempo colonial português, que “deram origem ao filho ‘Eurwanza'”.

O ‘Eurwanza’ é uma nota idealizada pela artista portuguesa para esta exposição e que também pode ser simbolicamente comida durante a exposição, com a performance da artista, por estar impressa em folha de hóstia.

“É para que as pessoas possam comer o dinheiro. É um ato divertido, mas também muito simbólico porque as pessoas vão estar a comer o próprio dinheiro, é uma reflexão sobre a crise e sobre como estamos reféns desta situação capitalista e económica”, explicou à Lusa a artista.

O francês François Beaurain, com “Bossman”, fecha o grupo de nove artistas com trabalhos nesta exposição.

PVJ // EL – Lusa/Fim
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