Taleb Rifai disse, no final da assinatura de um memorando de entendimento entre a OMT e a CPLP, que se realizou hoje na sede do organismo lusófono, em Lisboa, que o facto de os oito países com o português como língua oficial estarem atualmente em níveis de desenvolvimento muito distintos não deve ser visto como um obstáculo.

“A variedade de estádios de desenvolvimento económico e turístico apresenta uma mistura bastante saudável, em que os países mais avançados vão ajudar os que estão num nível intermédio e estes vão ajudar as economias que ainda estão no começo”, explicou, assinalando que “os países mais avançados fornecerão as boas práticas”.

A CPLP pode vir a ser “um estudo de caso muito interessante, para perceber como a comunidade global pode trabalhar em conjunto”, afirmou, antecipando: “Não acho que será um clube dos que conseguiram e dos que não conseguiram. Ao contrário, [o turismo] vai equilibrar o desenvolvimento [dos países da CPLP] a longo prazo.”

Antes da assinatura do memorando de entendimento, que pretende aumentar a cooperação entre os dois organismos e identificar “áreas de interesse mútuo”, o secretário executivo da CPLP, Murade Murargy, assinalou que “todos os Estados têm um potencial enorme e diversificado”.

Ao promover o “conhecimento mútuo” entre cidadãos, o turismo tem potencial para ser um “significativo contributo” para a paz, ao mesmo tempo que “pode contribuir de maneira eficaz para a redução da pobreza, abrindo novas e abundantes fontes de emprego”, facilitando “o desenvolvimento regional e local” e permitindo “um acesso mais generalizado das populações às infraestruturas básicas”, considerou Murade Murargy, que não quis prestar declarações aos jornalistas no final da cerimónia.

O coletivo lusófono recebe “16 milhões de turistas por ano”, contabilizou o secretário-geral da OMT, referindo o Brasil como mercado em crescimento, Angola e Timor como “estrelas em ascensão”, Moçambique registando “bons avanços” e Cabo Verde como “um dos melhores exemplos” para demonstrar como, através do “forte interesse” no turismo, é possível sair da lista dos países menos desenvolvidos.

“Há tanto em comum, a herança cultural e os elos entre estes países são tão poderosos que podem tornar-se, em si próprios, numa atração turística”, estima.

Sublinhando que a CPLP “tem um grande potencial”, desde logo porque vivem cerca de 250 milhões de pessoas nos oito países que a integram, lembrou que “alguns” já “são destinos turísticos principais”, como é o caso de Portugal – que, referiu o secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, presente na cerimónia, está entre os “maiores mercados recetores”.

Sobre o risco de os países menos vulneráveis estarem sujeitos a um turismo sem preocupações pelo bem-estar humano, Taleb Rifai assegura que a OMT irá “garantir” que o desenvolvimento “será sustentável”. O risco de “deriva” existe em “muitos países do mundo”, reconheceu, defendendo a aplicação dos princípios do Código Mundial de Ética do Turismo, aprovados pelas Nações Unidas há dez anos.

No memorando de entendimento hoje assinado, a OMT compromete-se a fornecer à CPLP capacitação institucional e formação profissional na área do turismo e apoio na formulação e implementação de políticas de promoção e investimento.

SBR // JMR – Lusa/fim

Foto extraída do portal VisitPortugal

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